Cinderela e os Quatro Cavaleiros

| 23 novembro 2020 | Nenhum comentário:


Eun Hawon perdeu a mãe quando era muito pequena, então morava com a madrasta e a irmã de criação. O pai era caminhoneiro e viajava muito a trabalho, o que deixava com que sua madrasta se aproveitasse para explorar Eun Hawon dentro de casa, sem dispensar nenhum carinho para a enteada.

Porém, Eun Hawon era muito feliz. Trabalhava em diversos empregos, apenas para conseguir dinheiro para finalmente cursar uma faculdade e não se deixava desanimar, em nenhum momento, até descobri a verdade sobre suas origens. Ela não era filha biológica de seu pai e, ao ser expulsa de casa, se encontra sem nenhuma saída, a não ser aceitar uma proposta nada convencional.

Kang Hyunmin, um herdeiro muito rico, decidiu levar Eun Hawon ao casamento de seu avô, exatamente para chocá-lo, após conhecer a jovem em um de seus empregos, mas ele nunca imaginaria que Eun Hawon o colocaria em seu lugar, e lhe ensinaria uma grande lição, bem na frente do seu avô.

Os herdeiros da família Kang eram, segundo seu avô, revoltados e indisciplinados, além de não saberem conviver como uma família. Após ver o comportamento de Eun Hawon na festa, talvez ela fosse a pessoa certa para finalmente entrosar os netos, seus grandes herdeiros. Para isso, Eun Hawon teria que se mudar para a mansão dos primos Kang e cumprir as missões designadas pelo seu avô. Mas não seria nada fácil lidar com personalidades tão diferentes, além de cumprir a mais importante das regras: não namorar com nenhum dos herdeiros.

Fiquei muito feliz por esse dorama estar disponível na Netflix. Há muito tempo tinha vontade de assistir, e foi muito melhor do que eu teria imaginado. Uma versão bem moderna e coreana da conhecida história da Cinderela, porém, nesse caso, ela tem vários príncipes ao seu dispor, ou, alguns sapos que precisam melhorar o seu comportamento.

Como apenas um dos primos foi criado sabendo de suas origens "nobres", era muito complicado para Eun Hawon fazê-los conviver em harmonia, sendo que, quando estavam juntos, só surgiam brigas. Mas a jovem já havia passado por muita coisa na vida, já tinha tido diversos empregos e morar naquela mansão, e ver todos os dias três caras lindos, por mais que só brigassem entre si, não era a pior situação de sua vida.

Apesar de tudo, não posso deixar de sentir muita raiva do avô. Ele não é um homem de bom coração que deseja ver os netos se dando bem e felizes. Contratar Eun Hawon, nada mais foi do que uma nova forma de tentar manipular os herdeiros, algo que ele tentava fazer a cada momento, usando o seu dinheiro para comprar quem quer que fosse para alcançar os seus objetivos.

O grande apíce do dorama é ver os primos se abrindo pela primeira vez, encontrando em Eun Hawon a válvula de escape que eles precisavam para finalmente começarem a ver aquela mansão como um lar. É triste acompanhar tudo o que aconteceu em suas vidas até aquele momento, principalmente com Kang Jiwoon, mas também é notável a sua mudança, além de sua atração pela nova moradora da mansão.

Mas, como não há nada com o um bom triângulo amoroso, também temos o terceiro primo, Kang Seowoo, um cantor muito famoso, com uma legião de fãs, que começa a sentir algo realmente especial por Eun Hawon.

Como estamos falando de uma releitura de Cinderela, claro que é fantástico ver a madrasta e a irmã má sendo punidas por suas maldades, algo que acontece durante toda a história, e não somente no final. As duas, tentando manipular aqueles que estão ao seu redor para chegar ao mesmo “patamar” que a enteada, é hilário, mas uma punição muito bem colocada para ambas.

Estou completamente apaixonada por essa história. "Cinderela e os Quatro Cavaleiros" (disponível na Netflix), me deixou completamente enlouquecida, querendo saber onde aquela amizade de uma menina pobre com os primos ricos (mas que desprezavam uns aos outros) os levaria. Claro que, além da amizade, temos espaço para muito amor. Para quem ama romance, ele não falta nessa história.

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Mister

| 27 outubro 2020 | Nenhum comentário:



Autora: E L James
Editora: Intrínseca
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Após perder o irmão, e assumir o título de Conde de Trevethick, a vida de diversão e liberdade de Maxim havia chegado ao fim. Agora, ele era responsável por propriedades, empresas e famílias que dependiam de suas decisões. Se isso não fosse o suficiente para enlouquecer um homem que nunca precisou ter uma preocupação sequer na vida, uma nova faxineira em sua casa viraria sua cabeça, e seu coração, como nunca. Alessia não era como as outras mulheres que Maxim conhecia, e parecia guardar um grave segredo.

Trabalhar com um homem tão intenso com Maxim não estava nos planos de Alessia, mas ela estava perdida naquela cidade imensa, com apenas uma amiga para ajudá-la, sem saber o que faria da sua vida. Sua única válvula de escape era o piano na casa de Maxim. O único momento em que ela se sentia realmente feliz era quando estava tocando, mas só podia fazer isso quando ele não estava presente, até que ele descobre o quão talentosa é sua nova funcionária.

Tocar era fantástico para Alessia, mas, estar na presença de Maxim, principalmente quando ele começa a descobrir os seus segredos e faz o possível, e o impossível, para mantê-la segura, e, quem sabe, fazê-la feliz, trazia ao seu coração um sentimento que ela nunca imaginou sentir.

E L James nos traz uma história com alguns tons da sua trilogia de sucesso, "Cinquenta Tons de Cinza", mas definindo os personagens de forma bem diferente. Maxim está sofrendo por ter acabado de perder o seu irmão e desesperado por conta de um futuro com tantas responsabilidades que o aguarda.

Alessia é uma protagonista diferente das vistas atualmente em livros desse gênero. Sua ingenuidade e gratidão perante Maxim, o enxergando como seu cavaleiro de armadura montado em um cavalo branco, pode não ser tão bem visto no mundo atual, na sociedade em que vivemos, onde as mulheres querem conquistar toda a independência que merecem e salvarem a si mesmas, porém, a autora criou uma personagem culturalmente muito diferente de nós.

A menina foi criada em uma família machista e violenta, em um país onde homens e mulheres eram tratados de forma completamente distintas, sendo prometida a um homem que ela não escolheu para se casar, que seria tão ou mais violento que o pai, e tiraria dela toda a vontade de viver.

Após fugir desse destino cruel, e quase ser jogada em outro ainda pior, ela se vê praticamente sozinha, em uma cidade completamente diferente da sua, onde cada dia poderia ser o último de sua liberdade.

Com uma história de vida tão triste e desesperadora, sem passaporte em um país que poderia deportá-la de volta para um homem que mataria todos os seus sonhos, e até mesmo seu corpo, ou ser encontrada por aqueles que, ao invés de ajudá-la, como ela e a mãe imaginaram, a fariam mais uma vítima de um esquema de tráfico sexual de mulheres, encontrar um homem como Maxim, bondoso e gentil, alguém poderoso o suficiente para protegê-la de seus algozes, é fácil de entender porque a protagonista é retratada dessa forma e podemos aceitar um conto de fadas onde a princesa precisa ser salva de algo muito mais perverso e desumano que uma bruxa má.

Mas isso não faz com que a protagonista não seja uma mulher forte e corajosa. Não podemos esperar de alguém com uma criação como a dela a coragem e liberdade de alguém criada para ser uma mulher confiante e independente, portanto, suas pequenas ações, sua força para fugir do casamento, mesmo contrariando o pai, algo quase inimaginável para ela, e tudo o que ela aprende que pode ser convivendo com Maxim, é uma trajetória de crescimento muito interessante de se acompanhar.

Ambos os protagonistas aprendem um com o outro nessa história de amor e paixão, que pode conquistar a todos os fãs da autora E L James. "Mister" é um livro intenso, apesar de ter ficado com vontade de conhecer mais a fundo a história de outros personagens, os protagonistas conseguem ser o suficiente para nos encantar de nos fazer acompanhar a narrativa até o fim... que poderia ter algumas páginas a mais (quando chegar ao final, você vai entender).

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A Rainha Vermelha

| 23 outubro 2020 | Nenhum comentário:

Autora: Victoria Aveyard
Editora: Seguinte
Adquira o seu exemplar: Amazon, Submarino, Americanas

Uma população inteira separada pela cor do seu sangue. Enquanto os prateados são os governantes, devido aos poderes especiais que o seu sangue lhe confere, os vermelhos são a escória, nascidos apenas para lutarem guerras que não lhe pertencem e servirem aos seus superiores. Porém, o surgimento de uma vermelha com talentos nunca antes vistos, pode ser o começo de uma grande mudança para esse Reino.

Terminar de ler esse livro não foi fácil. Diversos surtos emocionais me acompanharam ao fechar a última página. Victoria Aveyard merece cada um dos elogios que já recebeu por essa série incrível. É um livro com tantas reviravoltas, tantos acontecimentos inesperados, tantos personagens desenvolvidos com tamanha profundidade, que o fim da obra te deixa sem fôlego, e desesperado pela continuação.

Mare não era nada além de uma vermelha ladra, com o destino já definido. Por não possuir uma ocupação, ela seria enviada para a Guerra, de onde não sabia se voltaria. Ao tentar comprar a sua liberdade e a de um amigo, acaba destruindo a vida de sua irmã, a última esperança de sua família, pois ela foi punida em seu lugar por um roubo de Mare.

Em seu desespero, para tentar ajudar a sua família da única forma que ela conhecia, tenta roubar de um homem que era muito mais esperto que suas vítimas usuais, e que parece se interessar pela história de Mare. 

Quando, ao invés de ir para a Guerra, ela é convocada para servir a família do próprio Rei, mal poderia imaginar que o homem misterioso que ela havia tentado roubar era ninguém menos que o Príncipe Herdeiro e general mais importante do Reino de Norta.

Porém, nada seria mais surpreendente em seu primeiro dia de trabalho, diante das famílias mais importantes de todas as cortes prateadas, quando Mare pensa que irá morrer devido a um "acidente", poderes misteriosos se manifestem, na frente de todos, chocando aqueles prateados que jamais viram um vermelho com poderes, algo que mudaria tudo.

Para conter algo que poderia ser muito prejudicial para a Coroa, o Rei obriga Mare a fingir ser uma prateada, filha de um herói de guerra, morto há anos, que teria sido criada por vermelhos sem saber sua verdadeira origem, além de se tornar noiva do príncipe mais novo, Maven. Agora, a vermelha teria que começar a compreender, e controlar, seus novos poderes, em meio a intrigas, guerras e traições que permeavam a sua nova vida.

Uma narrativa incrível de fantasia. Reinos, guerras, intrigas, poderes, mas também, uma narrativa angustiante. A protagonista é obrigada a deixar a sua família para viver entre pessoas que ela odiou durante toda a sua vida. Ela não conseguia confiar realmente em ninguém, mesmo naqueles que pareciam ser bons, que a tratavam com gentileza, pois, ela estava entre inimigos, entre prateados e, a qualquer momento, eles poderiam perceber que ela não era mais útil para sua causa.

Cal, o príncipe herdeiro, aquele que a trouxe para o Palácio achando que a estava salvando de um destino ainda pior em meio as Guerras, parecia ser um bom homem, na medida do possível. Alguém que queria ser um Rei um pouco melhor para o seu povo, incluindo os vermelhos, porém, o seu medo de mudar, de fazer as coisas ficarem piores do que já estavam, não davam esperança para a protagonista de que o seu Reinado seria diferente do pai, principalmente com a noiva arrogante e cruel que ele havia sido obrigado a aceitar como sua futura Rainha.

Por outro lado, temos o príncipe mais novo, filho do segundo casamento do Rei. Maven não foi treinado para as Guerras com Cal, não tinha a sede de lutas do irmão mais velho, e nem o tamanho do amor que seu pai dedicava ao primogênito. Sua inveja do irmão e rancor do pai são bem claros, mas isso não faz com que o jovem, agora noivo de Mare, não seja gentil ou tenha ideais diferentes do irmão. Maven era o bálsamo de Mare naquele mar de mentiras e lutas pelo poder, e poderia ser o melhor aliado para a sua causa, principalmente quando outros vermelhos começam a lutar para que o mundo finalmente mude.

Esses personagens incríveis constroem uma história de tirar o fôlego. O livro ser narrado do ponto de vista da protagonista faz com que a autora tenha a oportunidade de realmente nos colocar a prova para descobrir as intenções reais de cada um, nos surpreendendo e chocando a cada capítulo.

Impossível prever o final, muito menos os personagens que estarão envolvidos em tramas tão chocantes, mas, apesar do sentimento de desespero, as pistas estavam todas lá, só não enxergamos porque a autora soube construir essa narrativa com perfeição.

Que primeiro livro chocante e incrível! "A Rainha Vermelha" é o ponto de partida de algo realmente épico. Tantos personagens lutando por seus desejos ou ideais, todos acreditando que os fins justificam os meios, nos deixando em páginas e mais páginas repletas de vilões, pois é quase impossível acreditar que alguém possa ser considerado um mocinho, mesmo que seu desejo seja nobre, quando suas ações nem sempre têm tanta nobreza.

 

A seguir, alguns comentários COM spoilers:

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Ainda está por aqui? Siga por sua conta e risco rsrs

Amei Cal e Maven desde o primeiro instante. Dois príncipes tão diferentes, mas tão perfeitos, cada um à sua maneira. Cal com toda sua força e superioridade, herdeiro da coroa, e que conseguia olhar para uma menina vermelha perdida e tentar salvá-la, da maneira que pudesse. Um futuro Rei que poderia dispensar um pouco do seu tempo para ensiná-la a dançar, algo que faria apenas com que ela não fizesse papel de boba, algo que não salvaria ninguém, ou que venceria uma guerra.

Maven era tão gentil. Apesar de amargurado pela falta de atenção do pai, como noivo de Mare, ele era um escudo para ela, alguém que estaria ao seu lado quando precisasse, alguém que teria coragem de trair seus pais, de trair o reino para ficar ao seu lado, para lutar por tudo aquilo que sua noiva acreditava.

Eu sentia, no decorrer do livro, que um dos dois me decepcionaria, que um dos dois partiria meu coração sem chance de colar os pedaços, mas nunca imaginaria que a traição seria tão cruel e imprevisível.

Cal se recusa a ajudar Mare a derrubar o pai, a construir um novo reino onde os vermelhos seriam tão importantes e tão bem tratados quanto os prateados, porém, Maven a manipulou, com ajuda da mãe (ou, seguindo suas ordens) desde o primeiro instante. Alguém tão meigo e gentil, mas que se mostrou capaz de assistir o assassinato do pai e incriminar o próprio irmão e a mulher a quem ele demonstrava amar. 

Quando Cal e Mare estavam na arena, à beira da morte, continuou sem demonstrar nenhum remorso. Seus poucos lapsos, poucos momentos em que aquele menino gentil novamente aparecia, logo davam lugar ao Rei cruel que ele já demonstrava que seria, principalmente com uma mãe tão perversa ao seu lado.

Meu coração não aguenta um final tão terrível. No livro inteiro, a autora cita que todos traem todos, porém, nunca imaginei que seria de forma tão intensa, desumana e perversa.

Ver Cal no final do livro, tão desolado, um futuro Rei sendo tratado com traidor, sem mais vontade de sequer lutar contra aqueles que ele perseguiu com tanto afinco, apesar de saber que ele não seria um Rei realmente perfeito, é de cortar o coração.

Esse final... esse final, é para destruir as estruturas de qualquer um...  

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| 17 outubro 2020 | Nenhum comentário:

Autora: Laurie Halse Anderson
Editora: Valentina
Adquira o seu exemplar: Submarino, Americanas, Livraria Cultura

Melinda chamou a polícia durante uma festa dos alunos de sua escola. Agora, aquela menina divertida e cheia de amigos era uma excluída. Alguém que só servia para chacota e humilhações. Seus pais eram omissos e a maioria dos seus professores não se importava. Melinda passa muito tempo dentro de sua mente analisando todos ao seu redor, e tentando esquecer o que lhe aconteceu na festa. Ninguém nunca lhe perguntou, ninguém nunca quis saber e Melinda seguia cada vez mais calada, cada vez mais sozinha, cada vez com mais medo.

A autora dessa obra espetacular, Laurie Halse Anderson, escreveu sobre um tema intenso de forma muito peculiar. O livro, narrado todo do ponto de vista de Melinda, tem um tom tão destoante do que encontramos em outros livros em que o tema também é o estupro que, em muitos momentos, nos vemos rindo de sua nova forma de ver o mundo após a violência sofrida.

Melinda está totalmente destruída. Estar dentro de sua mente é acompanhar todas as formas de escape que ela tenta encontrar para superar, ou pelo menos continuar sobrevivendo, após o que aconteceu na noite que mudou a sua vida. Seus relatos sobre seus colegas, professores, pais e sua luta por tentar passar despercebida por todos eles, quase nos faz esquecer de seu sofrimento, o que eu acho que a autora fez de forma totalmente proposital.

A autora narra a luta da personagem em esquecer o que aconteceu, não enfatizando sua dor em alguns momentos. Tudo parece estar quase bem, até surgir uma lágrima. Tudo parece estar quase bem, até ela não conseguir dormir. Tudo parece estar quase bem, até ela começar a morder os lábios. Tudo parece estar quase bem, até não estar mais, até ela encontrar a personificação de seu maior pesadelo, até ela finalmente ter que lidar com a forma brutal com a qual ela foi tratada na festa.

Impossível ler esse livro e não sentir raiva de absolutamente todos ao redor de Melinda. Nós não chegamos a conhecer a fase de adolescente normal e feliz da personagem, pois a narrativa tem início após a fatídica festa, porém, ela deixa bem claro que não era essa menina fechada, reclusa e apavorada que agora se apresentava para o mundo.

Como é possível que os pais notem, mas não façam nada perante uma mudança radical no comportamento e notas da única filha? As "amigas" que antes faziam parte da sua turma, por mais que sentissem necessidade de não perder a popularidade em andar com uma "pária" do colégio, não quiseram nem perguntar a Melinda o que havia acontecido, não na festa para ela chamar a polícia, mas na sua vida, para que as suas atitudes estivessem tão diferentes? Tantos professores, que só pensam em seus umbigos e não conseguem ver que bem à sua frente existe uma aluna gritando por ajuda? Alguém que era uma aluna de notas altas, não poderia mudar tão drasticamente, sem que houvesse um real motivo...

Por outro lado, temos o professor de artes Freeman. Aparentemente, ele também não se importa com os seus alunos, porém, ao acompanhar o desenrolar do seu comportamento durante as páginas, vemos que ele tem um jeito bem único de tentar fazer Melinda desabrochar, ou, criar raízes, crescer e florescer, como a árvore que ela passou o ano todo desenvolver nessa aula. Ele pode não ser o psicólogo que ela merecia, mas, do seu jeito, a ajudou a ver que poderia recuperar a vida que ela achava que tinha perdido naquela noite.

É revoltante ler esse livro, mas, também temos que lembrar que só vemos o ponto de vista de Melinda. Não sabemos realmente o que as pessoas a sua volta estão pensando, quais são as suas preocupações e se simplesmente não sabem como ajudá-la. Seria fantástico poder acompanhar também os pensamentos dos pais, amigos e professores. Não sei se para entendê-los ou odiá-los ainda mais, porém, seria interessante.

Uma narrativa única sobre estupro e as consequências na vida de uma adolescente. "Fale!" vai te enganar em muitos momentos, assim como Melinda, porém, não se engane, a personagem tem pensamentos aleatórios, muitas vezes até engraçados, apenas para fugir da sua dor, até finalmente ter coragem de levantar e lutar. Esse livro nos ensina a não abaixar a cabeça, a entender quem é a verdadeira vítima, e que essa pessoa tem que falar, falar, falar... até ser realmente ouvida. 

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Ordem Vermelha – Filhos da Degradação

| 13 outubro 2020 | Um comentário:



Autor: Felipe Castilho
Editora: Intrínseca
Adquira o seu exemplar: Amazon, Submarino, Americanas, Livraria Cultura

Uma Deusa sem falhas, surgida da união de outros Deuses para guiar as criaturas pelo último lugar habitável do planeta. A última chance que os seres vivos teriam de provar o seu amor a Deusa Una e tentar conquistar o seu perdão. Porém, nem todos os Filhos da Degradação concordavam com aquela era de escravidão, ou mesmo com uma semiliberdade. Nem todos acreditavam nas histórias contadas pela Deusa. Alguns acreditavam que ela deveria ser derrubada, para que uma nova era finalmente tivesse início.

O ano era 2017. Todos sabem o quanto o auditório Cinemark em uma CCXP é concorrido devido a tantos painéis incríveis, principalmente o da Marvel, que sempre acontece nesse dia. Por mais que tenha chegado cedo ao São Paulo Expo, não consegui minha senha para entrar no auditório no começo do dia, então, quando os portões de abriram, corri desesperadamente para a fila, para tentar um lugar naquele dia no auditório. Foram horas e mais horas aguardando, finalmente, pela minha grandiosa entrada (que, infelizmente, não foi antes do fim do painel da Marvel), porém, essas horas foram desenhadas na minha mente pela ilustração gigante de divulgação do livro dessa resenha. Devo confessar que, ao finalmente ler essa história, foi como se retornassem todas as sensações fantásticas daquele dia (mesmo muitas horas na fila), com a certeza de ter em mãos uma das histórias fantásticas mais incríveis que eu já tive a oportunidade de ler.

O começo do livro foi um tanto confuso. Mas, quantas boas histórias de fantasia não começam em meio à confusão de tantos nomes e lugares e personagens e outras tantas coisas até inomináveis para alguém que não embarcou nessa aventura? A minha primeira leitura dos capítulos iniciais de "Guerra dos Tronos" me fez sentir da mesma maneira, e todos sabemos o quão grandiosa é essa narrativa.

Em "Filhos da Degradação", conhecemos a história de um jovem humano escravizado, Aelian, que perdeu o pai muito cedo em um Festival da Morte, onde o mesmo só desejava conseguir uma semiliberdade para o filho. Temos Yanisha, uma kaorshs, que desejava a queda da grande Deusa, para que finalmente as coisas começassem a mudar naquele lugar sombrio. E, para finalizar, temos o anão Harun, um dos Tenentes da Deusa Una, mas que também não concordava com a vida que a sua soberana obrigava todos os seus servos a viverem diariamente.

Como narrativa de fantasia, essa é uma das melhores obras que eu já tive a oportunidade de ler. O autor, Felipe Castilho, escreveu mais de 400 páginas de um mundo novo, incrível, com personagens que são tão fantásticos quanto humanos, que vão nos fazer rir e chorar com a mesma intensidade. Um universo impecável, tão bem construído que, enquanto você está lendo, é quase impossível escapar daqueles muros, assim como os protagonistas.

Porém, apesar de toda a incrível fantasia criada para compor o livro, não tem como não vibrar e surtar com a parte destinada a revolta dos personagens principais contra os desmandos da Deusa, ou, ainda melhor, e mais incrível, contra tudo o que há por trás da soberana que controla Untherak. Descobrir os segredos que o autor guarda, a cada página, é como desbravar ainda mais um mundo tão complexo, tão repleto de camadas, mas que até a última página ainda tem muito a nos mostrar.

Você ama fantasia? Ação? Aventura? Histórias repletas de elementos novos, criados com perfeição, muito detalhadas e com uma nova descoberta a cada capítulo? Então, você encontrou a história certa.

"Ordem Vermelha - Filhos da Degradação" é um livro simplesmente genial. Porém, após ler um epílogo que, não só nos coloca em um momento completamente diferente do final da narrativa, mas também explode os nossos cérebros com a situação em que os personagens se encontram, eu não entendo como ainda não temos uma continuação. Se eu estou desesperada, imagino quem leu em 2017...

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