99 dias

| 11 setembro 2021 | Nenhum comentário:


Autora: Katie Cotugno
Editora: Rocco Jovens Leitores
Adquira o seu exemplar: Americanas, Submarino

Molly e Patrick se conheciam a vida toda. De melhores amigos na infância, se tornaram namorados. Molly sentia como se a família de Patrick, seus pais e seus irmãos, também pertencessem a ela. Porém, após uma briga, Molly dorme com Gabe, irmão de Patrick. A menina levaria aquele segredo para o túmulo, principalmente após Gabe ir para a faculdade e ela reatar com Patrick. Ninguém saberia do que aconteceu, se não fosse o fato de ter confidenciado a sua mãe, uma escritora de sucesso, o que havia acontecido.

Seu mundo virou de cabeça para baixo quando sua mãe lançou seu novo livro e revelou para o mundo que aquele triângulo amoroso, entre uma garota e dois irmãos, era baseado na história de sua filha.

Molly não aguentou a pressão, ataques e xingamentos, típicos de uma cidade pequena, e resolveu se isolar do mundo, mesmo sendo seu último ano de escola, fugiu daquele lugar. Agora, após terminar o ensino médio, ela teria que enfrentar apenas 99 dias em sua cidade natal, antes de ir para a faculdade.

Ela sabia que todos os fantasmas do seu passado voltariam, porém, não imaginava o quanto eles ainda a fariam sofrer, ou quanta esperança poderiam trazer de que o seu verão tivesse um pouquinho de amor.

É tão normal começar um livro de romance adolescente esperando que seja uma história de amor com adversidades, mas com personagens encantadores e um final feliz, que é um choque ler esse livro.

A mocinha comete erros? Vários!

Os irmãos que "lutam" pelo seu coração são príncipes em seus cavalos brancos? Com certeza não!

As melhores amigas são aquelas pessoas perfeitas, que estão sempre ao lado da mocinha, para o que der e vier? Também não.

Já é possível perceber que esse não é um livro convencional, repleto de cenas óbvias e clichês. Esse é um livro basicamente sobre erros, crescimento e como lidar com isso. Não tem nenhum personagem perfeito aqui, muito pelo contrário.

Todos são egoístas em algum momento, tomando atitudes que poderiam ser evitadas, pois claramente vai machucar alguém (e alguém com quem eles se importam), mas, no calor do momento, eles pensam apenas neles mesmos, em prazeres momentâneos, sem pensar nas consequências.

É possível amar e odiar todos os personagens ao mesmo tempo? Você começa a narrativa entendendo do que se trata a história, escolhendo seus favoritos naquele triângulo, achando que é disso que vai se tratar todas as páginas que virão a seguir, porém, a autora, Katie Cotugno, te dá um tapa na cara escrevendo atitudes inaceitáveis para personagens que, à primeira vista, você simpatizou, que você imaginou amar até a última página, porém nós só podemos julgar cada um de seus atos e torcer para que a situação não piore ainda mais (mas só piora).

Não me entendam mal, eu amei o livro, de verdade, mas foi completamente diferente do que eu teria imaginado. Temos pessoas tão imperfeitas como protagonistas, pessoas que poderiam ser qualquer um de nós, cometendo grandes erros, se arrependendo, tendo pessoas ao seu redor os julgando (e punindo) por eles, tentando entender o que realmente acontece no coração e como é possível ser realmente feliz, sem magoar aqueles que fazem parte da sua vida.

O final foi surpreendente, mas não poderia ter sido mais correto. Claro que senti aquela coceirinha de vontade de saber como aquele verão iria refletir a vida dos personagens daquele momento em diante, mas também fico feliz com a forma como tudo se "resolveu" e como a maioria deles conseguiu crescer e aprender, mesmo que um pouco, com os seus erros.

"99 dias" absolutamente não é um típico romance adolescente. Você vai sentir raiva dos personagens, vai querer entrar no livro e sacudir cada um deles, porém, vai entender que esse é um livro real, cheio de erros, com pessoas que precisam tropeçar muito para aprender a ficar em pé. Só espero que depois desse verão, eles realmente tenham conseguido.

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Garota Tempestade

| 04 setembro 2021 | Nenhum comentário:


Autora: Nicole Peeler
Editora: Valentina
Adquira o seu exemplar: Submarino, Americanas, Shoptime

Jane sempre foi tratada como uma pária em sua pequena cidade. Sua mãe tinha aparecido nua durante uma tempestade e sumido, anos depois, misteriosamente. Jane também era considerada responsável pela morte do namorado. Se isso não fosse o bastante, a menina amava nadar, mesmo que o frio estivesse insuportável (não que ela sentisse), mesmo que o mar estivesse impossível (o que não a afetava), na verdade, isso fazia com que ela se sentisse mais forte. Mas, ao encontrar outro corpo, ela finalmente começa a compreender os motivos de ser tão diferente.

Como eu amo fantasia! Seres míticos, poderes especiais, sociedades secretas... coloque tudo isso em um caldeirão, mexa bem e receba em suas mãos o livro "Garota tempestade".

Jane True descobriu que era apenas metade humana de forma bem peculiar.

Após encontrar um corpo de um ser sobrenatural (por mais que ela não tivesse essa informação) como ele foi assassinado, uma investigação foi aberta para descobrir quem era o assassino. O que fazer quando um vampiro incrível, lindo e poderoso é o detetive responsável pela investigação e parece louco que sua relação logo ficasse mais íntima?

Amo como a protagonista, apesar de sofrer tanto com o ostracismo em sua cidade e por ser tão diferente, encara com coragem esse novo mundo, além de não ser uma mocinha recatada que quer manter distância do vampiro charmoso e sexy, muito pelo contrário.

Em muito pouco tempo a relação física entre Jane e Ryu avança e amei ver como a autora construiu essa relação. Não foi amor à primeira vista, ou um encontro de almas. Eles se sentiam atraídos um pelo outro, gostavam da companhia um do outro e simplesmente estavam dispostos a viverem o momento.

Nenhum dos dois estava completamente perdido naquela relação (que eu, honestamente, não achei que fosse durar... ou que vá durar até o final da série), o que é algo completamente inusitado. Um relacionamento tão importante para a narrativa, ao mesmo tempo tão leve e despreocupado.

Claro que, despreocupado é apenas o relacionamento. Jane percebe que o mundo de sua mãe pode ser cheio de intrigas, preconceitos e artimanhas para que cada ser alcance seu objetivo. Tenho certeza que no primeiro livro da série "Jane True" vimos apenas a ponta do iceberg que é essa sociedade escondida dos olhos humanos.

Ela descobriu que a sua existência é muito mais perigosa do que ser totalmente humana, ou totalmente sobrenatural, que muitos não aceitavam que alguém como ela vivessem entre eles, portanto, ela teria que entender realmente os seus poderes, encontrar o dom que a mãe havia lhe deixado, para começar a se proteger por conta própria.

Também porque Ryu pode ser incrível, um cavalheiro, mas não parece ser o tipo de vampiro que abandonaria sua vida, ou suas investigações, para proteger sua "donzela" em perigo.

"Garota Tempestade" tem vários elementos que eu amo em um livro: seres sobrenaturais, magia, romance, então foi uma leitura super agradável e que deixa aquele gostinho de quero mais para saber por onde a vida de Jane a levará.

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A garota que lê no metrô

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Autora: Christine Féret-Fleury
Editora: Valentina
Adquira o seu exemplar: Americanas, Submarino

Juliette é uma leitora, mas, muito além disso, é uma observadora de outros leitores. Ela não sabe seus nomes, o que as pessoas fazem de suas vidas, mas aqueles que leem no metrô têm toda uma história criada na cabeça de Juliette, ou uma série de dúvidas que ela gostaria de desvendar, somente com base nos livros que cada um leva consigo.

Trabalhar em uma imobiliária deveria ter sido uma oportunidade da garota ter contato constante com outras pessoas, conhecer outras vidas e encontrar o lugar perfeito para viverem, porém, seu sonho foi transformado em uma rotina de escritório e papéis sem vida.

Mal ela poderia imaginar que seguir uma garotinha para dentro de seu lar mudaria a sua vida. O pai, Soliman, parece ser um homem excêntrico, com sonhos distantes e um ofício muito peculiar: Ele ajuda as pessoas a encontrarem seus livros perfeitos.

Não importa que seja preciso seguir alguém para conhecê-lo melhor, o que importa é entender exatamente de qual título aquela pessoa precisa, o que pode realmente mudar a sua vida.

Quando Juliette embarca nesse trabalho, sua vida, e de muitas pessoas ao seu redor, mudariam para sempre.

Confesso que, quando o livro foi lançado, ao ter acesso a sinopse e a trama do livro em si, fiquei muito animada para ler. Era, afinal de contas, a história de uma leitora, apaixonada por esse universo, que abandona tudo para que sua vida ficasse ainda mais perto das letras. Achei que me identificaria com a personagem de forma surreal, mas não temos os mesmos gostos literários, então essa conexão não aconteceu.

O livro é muito bem escrito, com diversas referências, muitas descrições aprofundadas, que, eu tenho certeza, vão encantar leitores que gostam dos livros citados, mas não é o meu caso.

Livros mais conhecidos como obras para críticos literários, ou clássicos, não são exatamente os que me atraem, e é exatamente onde essa obra se encaixa. Gosto mesmo são de best-sellers, histórias de amor, fantasia...

O que quero expressar aqui é que o livro, com certeza, é muito bom para o seu público-alvo, pessoas que gostam desse tipo de leitura, livros mais complexos, detalhados, que lidam mais com uma análise interior do personagem principal, sem grandes histórias de amor (o que eu realmente esperei por um momento), ou finais que nos deixam suspirando de felicidade, ou arrasados pelo desfecho.

Aqui temos uma história mais cotidiana, que poderia acontecer com seu vizinho, ou até mesmo com você. Com as tragédias normais da vida e sem a garantia de um final épico e feliz. Ou, mesmo que o final não seja feliz, ainda assim épico.

De qualquer forma, fico feliz em ter lido. Não é o meu tipo de livro, mas prefiro descobrir isso lendo, pois não me arrependo dos livros que li, só daqueles que ainda não passaram pelas minhas mãos (mesmo que seja apenas para descobrir que o livro não faz o meu tipo).

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Princesa das Cinzas

| 04 junho 2021 | Nenhum comentário:


Autora: Laura Sebastian
Editora: Arqueiro
Adquira o seu exemplar: Amazon, Submarino, Shoptime

Ela nasceu para um dia ser Rainha, porém, seu reino foi tomado e sua mãe morta antes que ela sequer entendesse quem realmente era. Agora, a outrora Princesa Theodosia, atendia pelo nome de Thora e não era nada além de um objeto servindo aos objetivos do responsável pela morte de sua mãe e de milhares de seu povo, agora escravizados.

Em geral, a protagonista em uma narrativa deve evoluir, encontrar o seu lugar no mundo e nos mostrar a superação de seus medos, para que aquela história seja realmente instigante de se ler. A autora, Laura Sebastian, não só nos trouxe a evolução da protagonista, como colocou esse fato como o principal elemento que nos conduz durante toda a trama.

Após dez anos sendo prisioneira do kaiser, um homem cruel, que já não lutava mais as suas batalhas, e a punia por qualquer revolta de seu povo, tudo o que Thora conseguia fazer era abaixar a cabeça, sorrir e se mostrar grata por sua benevolência, só assim continuaria viva.

Encontramos a personagem em um momento de extrema fragilidade, um estado de espírito que já perdurava por muitos anos. Ela sofreu desde a infância, cresceu entre inimigos, sabia que não podia confiar em ninguém, portanto, é totalmente compreensível o seu medo, e seria até compreensível que a sua mente já tivesse se perdido completamente após tantos anos de angústia e tortura.

Porém, pela primeira vez, após tanto tempo, um velho amigo surge em sua vida, lembrando quem ela realmente era, de quem ela era filha, e que as poucas pessoas do seu povo que ainda restavam estavam sofrendo, precisando de alguém que lutasse por elas.

Chamada de Princesa das Cinzas pelo kaiser, obrigada a usar uma coroa que se desmanchava, assim como seu Reino, como uma fênix, ela ressurge das cinzas de sua humilhante coroa e, pela primeira vez, consegue ver alguma esperança para o futuro. Que não seja para ela, ao menos para o povo que ela, e sua mãe, tanto amaram.

Confesso que foi muito difícil ler certas cenas. A autora não foi nem um pouco piedosa com a sua personagem. É incrível ver o quanto Theo é forte, pois quase ninguém conseguiria superar tantos traumas, abusos e traições e manter sua mente sã o suficiente para lutar pelo seu lugar de direito, contra aqueles que só dizimavam vidas.

Conforme prosseguimos na narrativa, entendemos que o kaiser é como um parasita que invade os lugares, acaba com todos os recursos, enquanto escraviza o povo, fazendo-os morrer pouco a pouco de privações. Não tem como não odiar um personagem tão cruel, o que torna tão difícil quando o seu filho entra em cena.

Aparentemente, Soren discorda das atitudes do pai, e quando herdar o seu lugar pode tornar muitas coisas diferentes. Porém, ele cresceu em um mundo de escravos, invasões, de tomar a força aquilo que ele queria. Por mais que não concordasse com as torturas que o pai impõe a antiga princesa, por muito tempo não consegue afrontá-lo, por mais que não concorde com a sua forma de tomar algo a força, não recua quando tem que ser o braço que desempenha esse papel.

Claro que estou apaixonada por esse filho. Amo personagens controversos, que fazem a nossa cabeça pirar tentando entender de que lado ele está, se terá coragem de fazer as escolhas certas, porém, sofri muito com suas escolhas e a que lugar elas o levaram.

No final do livro esse é o grande estopim: escolhas. Escolher entre o dever e o coração, entre um povo e um homem, entre o que você foi ensinado durante toda a sua vida, ou o que diz seu coração.

Impossível não querer começar a sequência imediatamente. "Princesa das cinzas" é uma obra incrível. Que jornada de superação, permeada por tanta crueldade, ganância e injustiças. Um reino que era perfeito, agora quase esgotado como cinzas, assim como a sua princesa. Porém, se nas cinzas ainda restarem uma fagulha, ela pode ser acesa. No próximo livro vamos ver se essa fagulha vai apagar completamente, ou virar um grande incêndio.

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O dia em que você chegou

| 24 maio 2021 | Um comentário:


Autora: Nana Pauvolih
Editora: Valentina
Adquira o seu exemplar: Amazon, Submarino

Se existe uma personagem que foi maltratada pela vida, de todas as formas possíveis, seu nome é Angelina.

Ela perdeu a mãe ainda criança e o pai desapareceu. Encontrou em uma vizinha uma mãe verdadeira, mas ela também foi levada pela vida. A única pessoa que sobrou foi sua melhor amiga e irmã de criação, Lila. O único momento realmente bom de sua vida, quando ela achou que finalmente seria feliz, desmoronou como areia no deserto.

Morar com um namorado incrível como Adriano deveria ser perfeito, até que a sua doença começa a ser demais para ele. Angelina sofria de artrite reumatoide, uma doença que a impedia de andar sem muletas e a fazia sentir dores terríveis, principalmente durante suas crises.

A separação foi terrível, marcou seu coração e sua alma profundamente, a lembrando sempre de não deixar nenhum outro homem entrar em sua vida, pois aquela situação seria demais para qualquer um. Mesmo que demorasse, em algum momento, "ele" veria o fardo que Angelina seria em sua vida e a deixaria.

Ela não aguentaria passar por algo assim novamente. Era melhor viver sua vida pacata, trabalhando com suas traduções, saindo de casa apenas para a fisioterapia e seguindo com o seu coração seguro.

Seu plano seria perfeito, se Valentim não surgisse em sua vida. Jovem, lindo, dono de uma academia, alguém que amava praia, esportes radicais e sair com seus amigos a todo o momento. Totalmente o oposto do que Angelina poderia ter em sua vida, se ela quisesse alguém em sua vida, mas, como mandar no coração, quando ele coloca alguém perfeito para você em seu caminho?

Esse livro me fez suspirar de amor, me fez morrer de pena da Angelina, ao mesmo tempo em que eu fiquei muito orgulhosa de sua força e coragem. Também me fez odiar certos personagens e situações a ponto de me fazer chorar de tanta raiva.

Nunca encontrei em um livro uma pessoa fechada para o amor, que não queria mais se machucar, mas que tivesse um motivo tão forte e compreensível quanto o dessa narrativa. A autora, Nana Pauvolih, não foi nem um pouco gentil com a sua personagem.

Angelina tinha uma doença muito séria, com crises terríveis, em que era preciso realmente ter muita coragem, muito amor envolvido, para permanecer ao seu lado, cuidando dela nos momentos em que ela está mais debilitada.

Valentim tem uma vida completamente oposta à realidade de Angelina. Ela jamais poderia acompanhá-lo nas coisas que ele mais gostava de fazer. Ele teria que abrir mão de muito para ficar ao seu lado, ambos tinham consciência disso.

A história aqui não é apenas sobre o amor, mas o quanto uma pessoa está disposta a abrir mão, ou a se esforçar além de seus limites, por aquele que ama e o quanto essa mudança de vida pode desgastar uma relação que mal começou.

Que história incrível! Estou completamente apaixonada. Fiquei com o coração apertado durante quase toda a narrativa, torcendo para que Angelina abrisse de verdade o seu coração, entendesse que ela tinha sim o direito de ser feliz, mesmo com a sua doença. Alguém tão machucada, tão ferida pela vida merecia nem que fosse um único momento de felicidade e amor.

"O dia em que você chegou" é uma obra romântica, linda, que trata o amor com a delicadeza que ele deve ser. Um amor puro, um amor que não enxerga limitações, barreiras ou diferenças. Um amor que realmente leva a sério os dizeres "na saúde e na doença", e nos faz levar esses personagens no coração até o fim... e além dele.

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Um assassino nos portões

| 06 abril 2021 | Nenhum comentário:


Autora: Sabaa Tahir
Editora: Verus
Adquira o seu exemplar: Amazon, Submarino, Americanas 
Livros anteriores: Uma chama entre as cinzas | Uma tocha na escuridão

Elias, Laia e Helene estão lutando batalhas distintas, mas todas com um mesmo propósito: salvar os eruditos, o império e deter o Portador da Noite.

Laia e Darin, com a ajuda de Elias, tentam libertar os eruditos presos pelos marciais, porém, o novo Apanhador de Almas tem cada vez mais dificuldades em deixar o Lugar da Espera para ajudar seus amigos. Ele deve se livrar de toda a sua humanidade, de todos os seus sentimentos para fazer o trabalho que lhe foi designado. Passar os fantasmas adiante era sua obrigação, e não desempenhar corretamente com o seu dever poderia ser a destruição de todo o mundo.

Helene luta contra uma guerra iminente, enquanto lida com um Imperador assombrado pelo fantasma do irmão, protege a própria irmã, que carrega no ventre a única esperança de um futuro e tem que descobrir uma forma de finalmente derrotar a comandante, que fica cada vez mais forte.

Que livro desesperador! Os dois primeiros livros são incríveis, fantásticos, em vários momentos temos sopros de esperança, planos que funcionam conforme os protagonistas planejaram, o que acalenta um pouco nossos corações, algo que não acontece no terceiro livro da série.

Os poucos momentos de esperança, vitória, logo são sobrepujados. Todos os planos, aparentemente perfeitos, são derrotados de forma surpreendente. Nossos protagonistas realmente enfrentam seus destinos de forma cruel, tentando fazer o que é certo, salvar quem precisa de ajuda, porém a autora, Sabaa Tahir, sacou a sua cimitarra para atacar nossos corações a cada página.

Se esse livro tem muito sangue derramado, muito dele veio dos corações de quem estava lendo.

Laia sabe muito bem o que ela deve fazer: impedir que o Portador da Noite consiga o último pedaço da estrela e liberte os djinns. Essa é a sua missão, mas ver o seu povo sofrendo não é algo que ela consiga assistir e seguir em frente. Nesse livro, a filha da Leoa realmente assume o seu destino, mostra que, por mais que não queira, pode realmente ser uma líder.

Alguém que coloca seu povo à frente de qualquer outra coisa, que se separa do irmão, que ela tanto lutou para salvar, para fazer o que é certo. Isso mostra a força, o caráter e o amor do coração de alguém que sabe o que é justo, mesmo que já tenha sido tão ferida pela vida.

No Lugar da Espera, encontramos Elias tentando fazer o que é certo para seu povo, seus amigos e para os fantasmas, porém, ele precisa escolher um lado, ou então nenhuma de suas missões seria bem-sucedida. Vê-lo vestir novamente sua máscara (não literalmente), mas encontrando dentro dele aquele espírito de guerreiro impiedoso, foi cruel, mas necessário.

Elias tem nas suas mãos talvez a mais importante das missões. Cuidar dos fantasmas não apenas protegeria seus amigos dessa ameaça, mas todo o mundo, por muitas gerações. Mas, diferente de Laia, Elias não consegue realmente colocar o seu dever à frente das pessoas com quem ele tanto se importa, muito menos a frente da mulher que ele ama.

Por último temos a Águia de Sangue. É desesperador vê-la tentar fazer o que é certo, manter o império conforme deve ser, com um Imperador enlouquecido sendo assombrado pelo irmão, enquanto é apunhalada de todos os lados, pelos planos maquiavélicos da comandante.

É intenso e angustiante não saber o que Keris Ventura fará a seguir. A única vitória real de Helene sobre a comandante não consegue diminuir o desespero que sentimos. Não saber suas reais intenções, conhecendo o seu poder de manipulação, e seu poder real, vindo do Portador da Noite, só pode nos deixar ainda mais tensos do que virá a seguir, de como será a sua vingança, quais seus reais objetivos e o principal: até onde ela estaria disposta a ir para alcançá-los.

"Um assassino nos portões" não é uma narrativa fácil de se ler. É intensa, incrível, fantástica, supera os outros livros sem nenhuma dúvida, mas não traz nenhum tipo de acalento ao coração de quem está lendo. Um livro desesperador para quem ama Elias, Laia e Helene e espera suas vitórias, ou a sua união. Preciso, mais do que tudo, do próximo livro, o último da série.

E espero que esse seja bonzinho com essa leitora que torce por um final feliz.


A seguir, alguns comentários COM spoilers:

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Ainda está por aqui? Siga por sua conta e risco rsrs


O QUE É ESSE LIVRO?????

Estou desesperada com esse final tão cruel, sem esperança...

(Não que todo o livro não tenha sido assim)

Sabaa Tahir devia estar com muita raiva de Elias, Laia e Helene ao escrever essa narrativa, ou com uma vontade enorme de fazer seus leitores sofrerem.

Helene não era minha personagem favorita no primeiro livro (torcer muito por Elias e Laia teve suas consequências), porém, quando ela também começou a narrar a história, quando vi sua força e objetivos, seu sofrimento, foi impossível que ela não entrasse em meu coração, mas ela precisava sofrer tanto assim?

Alguém tão importante para o Império, com a cabeça no lugar, que faz aquilo que ela acredita ser o certo, mas totalmente sobrepujada por alguém tão vil a cada momento. Aquele final, minha nossa, ela entregando sua máscara para o Portador da Noite, sozinha, com seu exército aniquilado, eu realmente achei que ela fosse morrer.

E, quando ela tem a chance de encontrar um pequeno bálsamo, um sopro de amor e felicidade, a Águia de Sangue se recusa a ter essa chance, colocando sempre seu dever em primeiro lugar.

Realmente, a única coisa boa e esperançosa desse livro é o filho do Imperador ter sobrevivido, o que eu realmente achei que não fosse acontecer. Talvez a autora tenha tido um momento de misericórdia ao escrever essa cena.

Faz muito tempo que eu não odiava tanto uma personagem quanto Keris Veturia. Realmente, eu poderia ter entrado no livro e torcido o seu pescoço (se isso fosse possível). É muito frustrante, triste, nos enche de raiva ver a vilã ganhando tantas vezes seguidas... Odiar é um sentimento muito ruim, mas não posso negar que senti isso nesse livro.

Agora, descobrir que a cozinheira é a mãe de Laia e Darin, descobrir que ela matou o pai e a irmã mais velha de ambos e, sem uma conversa realmente franca, sem ela reencontrar Darin, a Leoa ser morta, foi a facada final no meu coração.

Não a facada final mesmo, porque ainda temos Elias totalmente dominado pelo Mauth, com todas as suas ações sob o controle desse ser superior, e todas as suas emoções reprimidas, gritando dentro dele por liberdade, mas contidas de forma insuperável.

Agora, Laia não conseguiu deter o Portador da Noite, Elias não é mais ele mesmo, Helene é praticamente uma foragida, pois Keris assumiu como Imperatriz, e o Portador da Noite libertou os djinns... É desespero que chama?

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Holo, Meu Amor

| 29 março 2021 | Nenhum comentário:


Devido a uma doença que a impedia de reconhecer qualquer rosto, Han So-yeon era uma pessoa solitária, que evitava de se aproximar de quem quer que fosse para, assim, não ter que admitir a sua doença, até que óculos misteriosos aparecem em sua vida.

Uma avançada tecnologia com uma inteligência artificial holográfica, a qual ela podia ver e interagir cada vez que usava o equipamento. Holo se tornaria seu melhor amigo, seu confidente e até um grande amor. Porém, grandes e inescrupulosas empresas estavam atrás daquele avanço tecnológico, e o seu criador era alguém que Han So-yeon conhecia muito bem e já considerava a pessoa mais importante de sua vida.

Histórias com essas temáticas são incríveis, mas também assustadoras. Assim como o dorama "Love Alarm", que também conta sua história através de uma avançada tecnologia, e como ela pode influenciar a vida das pessoas, aqui também temos essa forma de escapismo.

Óculos com uma inteligência artificial, alguém que pode te ajudar a todo o momento, que sempre concorda com suas opiniões, e te adora como ninguém. Porém, assim como todas as tecnologias com as quais já convivemos diariamente, pode te afastar ainda mais das pessoas.

Han So-yeon era uma pessoa sozinha. Com Holo em sua vida, tudo havia mudado para melhor. Agora, com a ajuda da IA, ela conseguia reconhecer a todos ao seu redor, terminar o seu trabalho em tempo record, e até sair com seus colegas de trabalho, algo que jamais achou ser possível sem Holo ao seu lado.

A sua dependência era muito clara, porém, o personagem é muito mais que um computador. Ele foi criado com sentimentos, emoções, afeto. Impossível não se apaixonar por um ser que, mesmo não existindo no mundo real, age como uma criança feliz desbravando o mundo, querendo fazer a sua usuária feliz.

Porém, temos nessa narrativa Go Nan-do, criador da tecnologia, dono de uma grande empresa, mas, também, um fantasma.

O gênio havia simulado sua morte, há muitos anos, e agora, usava sua irmã como rosto da empresa e criadora dessa tão avançada tecnologia. Todos estavam ansiosos pelo lançamento, porém, vendo a relação de Holo e Han So-yeon, Go Nan-do tinha medo de lançar no mercado um produto que, ao invés de felicidade, causasse sofrimento ao usuário, devido a sua capacidade de amar, e de usar todos os meios possíveis para fazer, o que quer que fosse, para tornar o usuário feliz.

Apesar da sua resistência, Go Nan-do usa o fato dos óculos terem parado nas mãos de Han So-yeon como a oportunidade de fazer um teste beta com Holo, porém, isso também a colocava em perigo.

Ele seria obrigado a protegê-la muito de perto, o que também faria com que aquele homem insensível e frio, totalmente ao contrário da sua criação, conhecesse alguém que faria até uma inteligência artificial se apaixonar.

Esse é um dorama realmente lindo. A relação de Han So-yeon e Holo é algo complicado de se descrever e tentar chegar a uma conclusão em determinados episódios. Eles são perfeitos juntos, têm um carinho muito especial um pelo outro, porém, como uma mulher poderia ter uma relação com um holograma? Alguém que nunca poderia tocá-la, ou que ela poderia sentir?

Go Nan-do só tinha a mesma aparência de sua criação, porém, o princípio da criação de Holo era para que, a criança solitária e complicada que ele foi, finalmente tivesse um amigo. Por essa razão a IA era tão perfeita e companheira. Alguém que, bem no fundo, seu criador também gostaria de ser, para que assim as pessoas realmente se aproximassem, por mais que ele ainda não soubesse que era esse o seu maior desejo.

"Holo, Meu Amor" é fascinante! Os personagens nos deixam completamente divididos para quem devemos torcer, se suas atitudes são corretas, ou mesmo se seria bom para a humanidade uma tecnologia tão "humana". Se isso ajudaria as pessoas ou se as afastaria ainda mais umas das outras. O dorama tem um final triste, mas de uma maneira esperançosa. Assim como Han So-yeon, também estou completamente apaixonada!

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