Seus olhos dizem

| 08 outubro 2021 | Nenhum comentário:


Indo encontrar o avô no estacionamento em que o mesmo trabalhava, Akari é surpreendida por encontrar um jovem em seu lugar. Rui se espanta por aquela moça simplesmente entrar e começar a despejar comida em suas mãos, até perceber a sua deficiência.

Akari perdeu a visão em um acidente que matou os seus pais. Rui só queria reconstruir sua vida após sair da prisão.

Ambos, sozinhos no mundo, talvez só precisassem de alguém ao seu lado para seguirem em frente, e principalmente para enfrentar as dificuldades que surgiriam em suas vidas.

Vocês sabem o quanto eu amo doramas, o quanto eu sou completamente apaixonada por produções orientais, então, não poderia ter ficado mais encantada em ser convidada para assistir em primeira mão um filme tão tocante e encantador quanto “Seus olhos dizem”.

Começamos o filme conhecendo um Rui introspectivo, que aparentemente não tem ninguém em sua vida, mas que tem o coração amolecido por alguém independente, alegre e cheia de vida como Akari, mesmo que a mesma não possa enxergar.

É claro que Rui não sente ser bom o suficiente para ficar com ela, após ter sido preso por seu envolvimento com a máfia, mas ela não tinha mais ninguém em quem se apoiar, alguém que cuidasse dela quando ela precisasse, que a salvasse em um momento de desespero.

É assim que essas duas almas começam a se conectar, a construírem uma vida juntos.

A atriz Yuriko Yoshitaka está perfeita no papel de uma mulher com deficiência visual, mas que não encara isso como a pior coisa da sua vida. Esse era um preço muito pequeno pela responsabilidade que ela achava que tinha na morte dos pais.

Só isso já seria o suficiente para construir uma história que me faria suspirar do começo ao fim, mas o roteiro engrena por um caminho que só podia resultar em desespero e lágrimas.

Quando o passado volta para assombrar Rui, seu conto de fadas, sua única chance de felicidade se despedaça, e somos lançados em um redemoinho de altos e baixos até a tela escurecer para o derradeiro fim.

Confesso que tive muito medo, derramei algumas lágrimas, tive raiva em alguns momentos, mas terminei o filme sabendo que o final não poderia ser mais perfeito para um casal que nos conquista no primeiro segundo que aparecem em cena.

Nesse filme cada olhar, cada toque e cada gesto dizem muito para quem está assistindo e roubam o nosso coração com um romance tão simples e humano.

“Seus olhos dizem” é uma história de amor, mas também de superação, recomeços e perdão. Nos ensina que enxergamos melhor com o coração. Assista e se emocione, assim como eu.

Estreia nos cinemas dia 14 de outubro.

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A torre de ouro

| 30 setembro 2021 | Nenhum comentário:


Autoras: Holly Black e Cassandra Clare
Editora: Galera Junior
Adquira o seu exemplar: Submarino, Americanas
Livros anteriores: O Desafio de Ferro, A Luva de Cobre, A Chave de Bronze, A Máscara de Prata

Call pôde voltar ao Magisterium, mas nem todos aceitam muito bem o fato da sua alma ser a do Inimigo da Morte. Aqueles que perderam familiares no Massacre Gelado só esperam pelo momento que Constatine tomará o comando de seu corpo e recomece o seu reinado de terror, agora sem nenhum Makar para detê-lo.

Mas ninguém sabe que Aaron, de alguma forma, ainda está vivo, pelo menos a sua alma, presa dentro do corpo de Call. Agora o menino teria que lidar com a sua paixão por Tamara, com os alunos nada amistosos do Magisterium, com Aaron o tempo todo dentro de sua cabeça e com uma ameaça nunca antes vista.

Amei como Cassandra Clare e Holly Black desenvolveram a história de Call, Aaron e Tamara culminando nesse livro. Apesar do número de páginas diminuírem a cada novo livro da série, podemos realmente entender Call, todos os seus medos (que não são poucos) e o quanto a sua alma, aquela que cresceu como Callum Hunt, era boa, justa, correta e que estava preparada para sempre ajudar os amigos, ou salvar o mundo, se for necessário.

Nesse livro, Alex volta como algo nunca antes visto, um dominado pelo caos. Um ser muito poderoso, mortal, mas com a alma e os modos de um adolescente mal-humorado que quer dominar o mundo, ou ter todos aos seus pés.

Só Call poderia detê-lo com Aaron o ajudando (bem de perto) e Tamara e Jasper, surpreendentemente agora um amigo, ao seu lado.

Foi incrível ver Aaron interpretando a mente de Call, vendo os seus medos e o repreendendo pelas suas inseguranças, enquanto ambos tentavam achar uma maneira de achar um novo corpo para a alma do antigo Makar.

Não posso negar que amei ver nesse livro os sentimentos de Call por Tamara. Amo um bom romance, mas não achei que as autoras fossem se aprofundar tanto nesse tópico, o que foi um bônus perfeito.

A questão da alma de Call também foi explorada de uma forma que eu nunca teria imaginado. O que Cassandra e Holly criaram aqui poderia até render outros livros. Acho que essa questão foi colocada de forma resumida até demais, devido ao tamanho da revelação. Gostaria muito de saber ainda mais sobre a alma tão complexa de Call.

Como todo final de série, me sinto um pouco órfã, já sentindo falta desses personagens, mas apesar da trama central ter sido resolvida, algumas questões muito importantes poderiam voltar com mais explicações em um próximo livro.

"A torre de ouro" é o desfecho de uma série mágica incrível, com um protagonista que não é perfeito, física ou psicologicamente, mas que nos ensina que só é preciso ter um coração bom e fazer o que é o certo para encontrar o que você busca e realizar o que deseja.

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O conde enfeitiçado

| 24 setembro 2021 | Nenhum comentário:


Autora: Julia Quinn
Editora: Arqueiro
Adquira o seu exemplar: Submarino, Americanas
Livros anteriores: 
O Duque e Eu | O Visconde que me Amava | Um Perfeito Cavalheiro | Os Segredos de Colin Bridgerton | Para Sir Phillip, com amor

Francesca era apaixonada pelo seu marido e sabia que o sentimento era recíproco. Após dois anos de casada com John, sua vida era perfeita. Além de um companheiro incrível, seu casamento trouxera para a sua vida um grande amigo. Michael era primo de John, mas eles se consideravam irmãos. Francesca também o amava, mas nunca imaginaria que os sentimentos de Michael para a mulher de seu primo não eram nada fraternais.

Quando John subitamente morre, Francesca não queria ninguém além de Michael ao seu lado. Só ele entenderia a verdadeira dor que ela estava sentindo, só ele amava John com a mesma intensidade. Mas, no momento em que ela mais precisava, o novo conde de Kilmartin a abandonou.

Michael receberia a fortuna e o título de John, aquele que ele tanto amou, que teria morrido no seu lugar se pudesse, porém, jamais poderia ficar com Francesca, por mais que a quisesse, por mais que a amasse, não poderia tirar isso de seu primo.

A não ser, muitos anos depois, quando Francesca abandona o luto e resolve encontrar um novo marido.

No sexto livro da série "Os Bridgertons", pela primeira vez começamos com a protagonista casada, já com uma vida plena e feliz, porém, ela perde o seu marido, alguém que ela amou intensamente.

Quando li a sinopse, confesso que achei que a protagonista não deveria ser tão feliz no seu casamento, principalmente porque acompanharíamos a descoberta do seu verdadeiro amor, mas Julia Quinn não escreve nada pela metade, e nunca trata de sentimentos de forma tão simples.

Michael sempre sofreu por amar a mulher de seu amado primo e não conseguiu ficar ao lado da mesma após a morte de John. Não poderia correr o risco de cair em tentação e fazer algo que o envergonhasse perante a memória do primo.

Por outro lado, temos Francesca, que quer ter um filho e precisa de um marido para isso, apesar da certeza de saber que nunca amará alguém como amou John. Ao menos até começar a ver Michael com outros olhos, o que muito a assustou.

Julia Quinn, nesse livro, nos fala sobre a possibilidade de poder amar duas pessoas durante a vida. Não dá mesma forma, mas com a mesma intensidade. Com desejos e alegrias diferentes, mas com todo o coração.

Muitas vezes nos desesperamos vendo personagens perfeitos se desencontrando, criando conflitos desnecessários para seu romance, porém nesse livro podemos entender as ressalvas dos protagonistas.

Como perder alguém tão querido, de forma tão repentina, e achar que uma atitude, que seria impensável se ele estivesse vivo, poderia ser correta?

"O conde enfeitiçado" é um livro lindo, cheio de amor e desejo, de luto e recomeço. Apesar de sabermos exatamente como a história vai terminar, acompanhar a jornada dos protagonistas é um deleite.

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Entre o amor e o silêncio

| 20 setembro 2021 | Nenhum comentário:


Autora: Babi A.Sette
Adquira o seu exemplar: Amazon

Duas pessoas com absolutamente nada em comum, além da necessidade de amarem e serem amadas.

Francesca conhecia a dor do abandono e da falta de amor, consequência da relação inexistente com o pai. Sua válvula de escape era a escrita e sua primeira obra começava a ser desprendida da sua mente.

Mitchell era um grande empresário, considerado impetuoso e sem coração. Não nutria sentimentos nem pela própria família. Se eles existiam, eram apenas raiva e rancor.

Quando o empresário sofre um grave acidente e acaba em coma, é o mesmo momento em que Francesca descobre a traição de seu noivo e seu mundo desaba completamente.

Sem rumo em sua vida, se inscrever para um programa de leitura para pacientes em coma poderia ser sua nova válvula de escape, algo diferente de todo o seu tormento, a não ser que ela se apaixonasse por alguém enquanto ele dormia...

Eu já ouvi falar muito da autora Babi A. Sette, inclusive já participei de um evento em que ela estava presente. Sempre achei que seus livros fossem a minha cara, e agora só consigo me perguntar porque demorei tanto tempo para ler um livro dessa autora tão sensível e habilidosa com as palavras. Que história linda e incrível!

Francesca é retratada de forma tão triste. Ela é uma mulher machucada pelo abandono do pai, algo ainda mais evidente após a traição do homem que ela amava. Vê-la se apaixonar por um homem em coma, apenas pela convivência tão intensa, imposta por ela mesma, deixa muito claro a sua necessidade de um amor real em sua vida.

Quando Mitchell acorda, é de partir o coração. Assim como Francesca, também esperamos um encontro romântico e épico, mas tudo o que encontramos é a pior face de um homem que endureceu seu coração após também ser muito machucado pela vida.

Porém, depois de tanto tempo ao lado de Francesca, mesmo em coma, ouvindo a mulher lendo seu livro, memórias de momentos que ele nunca viveu começam a assombrar as suas noites, até que seus sonhos ganham um rosto e, seu coração, uma faísca para renascer.

É impossível não amar um personagem tão amargurado se regenerando, tendo como seu ponto de partida uma mulher que ele não conhecia, mas que, no seu momento de maior necessidade, mudou a sua vida.

“Entre o amor e o silêncio” é uma história de amor única e encantadora. Foi tão fácil me apaixonar pelos protagonistas e tão difícil deixá-los. Estou até agora tentando me recuperar de tantas emoções e já escolhendo o próximo livro da Babi que vou ler.

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Tempestade de Guerra

| 16 setembro 2021 | Nenhum comentário:


Autora: Victoria Aveyard
Editora: Seguinte
Adquira o seu exemplar: Submarino, Americanas
Livros anteriores: A Rainha Vermelha | Espada de Vidro | A Prisão do Rei

Um Reino em Guerra dentro e fora de suas fronteiras. Reis e governantes buscando os seus ideais. Um amor que pode não sobreviver a distância que o sangue lhes impõe. Em quem se pode confiar, quando todo mundo pode trair todo mundo?

Não sei nem se respirar fundo é o suficiente para conseguir começar a falar desse livro. Me apaixonei perdidamente pela escrita de Victoria Aveyard em "A Rainha Vermelha", mas não imaginaria o quanto esses personagens poderiam mudar e evoluir, nos chocar e decepcionar, fazerem tantas escolhas que partiriam nossos corações ou nos dariam esperanças.

Após o final intenso de "A Prisão do Rei", Cal sucumbe novamente a possibilidade de ter a coroa de seu pai em sua cabeça, mesmo que isso signifique aceitar Evangeline Samos como sua Rainha. Mais uma vez ele não escolhe Mare e seu amor pela vermelha. Isso pode ser cruel e inaceitável no final do terceiro livro, porém, mais do que nunca, vemos Cal como um verdadeiro Rei, alguém que coloca seu povo em primeiro lugar, que pensa estar fazendo a melhor escolha para todos, mesmo que seja a pior para o seu coração.

Não nego que senti muita raiva de, mais uma vez, ele não escolher Mare, ficar ao lado da avó e da coroa que a família prateada lhe oferecia, mas ter capítulos narrados de seu ponto de vista e acompanhar o seu sofrimento foi exatamente como ler o ponto de vista de Evangeline. É impossível estar dentro da mente e do coração de uma pessoa e não se compadecer das suas dores, não sentir as suas perdas e não entender os seus motivos.

E isso, nesse livro, é mais do que incrível, principalmente quando tratamos do Calore mais jovem, Maven.

Estar na sua cabeça é cruel. Nós sabemos que ele poderia realmente ser o garoto que achávamos existir no primeiro livro, um irmão amável, um amigo compreensível, um amor delicado e perfeito, se não fosse pela destruição que a própria mãe causou em sua mente.

Acompanhar Maven nesse livro, principalmente as suas dores, o seu sofrimento, mesmo conhecendo todas as suas maldades, pecados e crueldade não impede que nosso coração se parta, principalmente quando sabemos onde toda aquela maldade o levará. Assim como Cal, mantive por muito tempo a esperança de que ele tivesse salvação...

Ambos os irmãos, lutando em lados opostos e buscando conseguir aliados, enquanto tentavam separar aqueles que ficariam ao seu lado apenas disfarçados de amigos. Uma frase tão dita no primeiro livro, que todos podem se trair, é tão verdadeira aqui que nos faz desconfiar de cada alfinete que surge na história.

Claro que não esquecerei de falar da nossa protagonista. Desta vez, dividindo o palco com tantos outros narradores, mas sempre no epicentro de todos os fatos importantes, e não poderia ser diferente.  Mare é a obsessão de um Rei e o amor de outro, ambos lutando pela coroa e pora tê-la ao seu lado.

Cal não escolhe ficar com Mare, mas chegamos a um determinado momento do livro que finalmente entendemos, e a protagonista deixa isso muito claro, que ela também não escolheu ficar com o verdadeiro herdeiro do trono de Norta. É muito difícil aceitar, principalmente se tratando de um livro, que o amor pode não estar acima de tudo, que seus ideais, seu povo, sua família, ou a cor de seu sangue podem estar acima daquele, ou daquela, que poderia lhe fazer feliz.

Não é fácil acompanhar as escolhas de Cal e Mare, principalmente quando as entendemos e sabemos que não seriam os personagens fortes e incríveis que são se fizessem escolhas diferentes.

O título aqui não mente. Eles estão em Guerra. Só que uma guerra pode ser lutada com armas, poderes, palavras e até mesmo com o coração, e aqui temos jogadores que sabem muito bem usar o que estiver a sua disposição para alcançar seus objetivos.

O final de "Tempestade de Guerra" é triste e angustiante. Foi um final incrível? Com certeza. Foi perfeito? Depende da sua definição. A autora conhece o coração dos seus personagens e nem sempre suas escolhas podem refletir as nossas esperanças.

Me senti um pouco como no final da trilogia "Jogos Vorazes", onde tudo termina "bem", mas esse não é exatamente o sentimento que invade o nosso coração ao fechar a última página.

Bom, ainda tenho um livro de contos pela frente. Seja para acalentar o meu coração, ou aumentar o meu desespero, ainda vou descobrir.

 

A seguir, alguns comentários COM spoilers:

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Ainda está por aqui? Siga por sua conta e risco rsrs

 

Um ponto importante da minha resenha:

Foi um final incrível? Com certeza. Foi perfeito? Depende da sua definição.

Qual seria a minha definição?

Por mais que acredite que não seria possível outro desfecho, teria terminado esse livro com um sentimento bem menos triste se Maven não tivesse morrido.

Não me entenda mal. Ele merecia pagar por tudo o que ele fez, pelas vidas que tirou, pelas famílias que destruiu, mas ele foi realmente o responsável por todas essas atrocidades?

Foi quase como ver o fim de Jonathan/Sebastian da série "Os Instrumentos Mortais". Alguém que não teve escolha, manipulado por meios externos e que foi obrigado a fazer atrocidades porque alguém que o corrompeu, destruiu a sua essência, de alguma maneira.

Ver sua morte, principalmente por Mare ser a responsável, depois de tudo o que ela passou, sabendo o quanto Cal sofreria com aquilo (com a morte do irmão e por ter sido através das mãos da sua amada), nada poderia ter destruído mais o meu coração.

Achei incrível o fato de Cal não ser mais Rei e Norta ter dado o primeiro passo em direção a uma sociedade com prateados, vermelhos e rubros em pé de igualdade, porém amaria ter visto Cal e Mare juntos no final. Teria sido um sopro de amor depois de tanta tristeza que esse final carrega.

Claro que temos um vislumbre de que algo possa acontecer, mas é algo tão pequeno, uma esperança tão diminuta, que não poderia apagar tanta tristeza.

Amei a série, completamente. Recomendo a todos que querem conhecer personagens incríveis e terem o coração partido, assim como o meu. Nunca neguei que grandes autores sempre nos causam grandes emoções, sejam elas boas ou ruins, e vou levar Victoria Aveyard sempre comigo, mas vou desenhar em minha mente, para os nossos protagonistas, um final um pouco mais feliz. Eles merecem.

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99 dias

| 11 setembro 2021 | Nenhum comentário:


Autora: Katie Cotugno
Editora: Rocco Jovens Leitores
Adquira o seu exemplar: Americanas, Submarino

Molly e Patrick se conheciam a vida toda. De melhores amigos na infância, se tornaram namorados. Molly sentia como se a família de Patrick, seus pais e seus irmãos, também pertencessem a ela. Porém, após uma briga, Molly dorme com Gabe, irmão de Patrick. A menina levaria aquele segredo para o túmulo, principalmente após Gabe ir para a faculdade e ela reatar com Patrick. Ninguém saberia do que aconteceu, se não fosse o fato de ter confidenciado a sua mãe, uma escritora de sucesso, o que havia acontecido.

Seu mundo virou de cabeça para baixo quando sua mãe lançou seu novo livro e revelou para o mundo que aquele triângulo amoroso, entre uma garota e dois irmãos, era baseado na história de sua filha.

Molly não aguentou a pressão, ataques e xingamentos, típicos de uma cidade pequena, e resolveu se isolar do mundo, mesmo sendo seu último ano de escola, fugiu daquele lugar. Agora, após terminar o ensino médio, ela teria que enfrentar apenas 99 dias em sua cidade natal, antes de ir para a faculdade.

Ela sabia que todos os fantasmas do seu passado voltariam, porém, não imaginava o quanto eles ainda a fariam sofrer, ou quanta esperança poderiam trazer de que o seu verão tivesse um pouquinho de amor.

É tão normal começar um livro de romance adolescente esperando que seja uma história de amor com adversidades, mas com personagens encantadores e um final feliz, que é um choque ler esse livro.

A mocinha comete erros? Vários!

Os irmãos que "lutam" pelo seu coração são príncipes em seus cavalos brancos? Com certeza não!

As melhores amigas são aquelas pessoas perfeitas, que estão sempre ao lado da mocinha, para o que der e vier? Também não.

Já é possível perceber que esse não é um livro convencional, repleto de cenas óbvias e clichês. Esse é um livro basicamente sobre erros, crescimento e como lidar com isso. Não tem nenhum personagem perfeito aqui, muito pelo contrário.

Todos são egoístas em algum momento, tomando atitudes que poderiam ser evitadas, pois claramente vai machucar alguém (e alguém com quem eles se importam), mas, no calor do momento, eles pensam apenas neles mesmos, em prazeres momentâneos, sem pensar nas consequências.

É possível amar e odiar todos os personagens ao mesmo tempo? Você começa a narrativa entendendo do que se trata a história, escolhendo seus favoritos naquele triângulo, achando que é disso que vai se tratar todas as páginas que virão a seguir, porém, a autora, Katie Cotugno, te dá um tapa na cara escrevendo atitudes inaceitáveis para personagens que, à primeira vista, você simpatizou, que você imaginou amar até a última página, porém nós só podemos julgar cada um de seus atos e torcer para que a situação não piore ainda mais (mas só piora).

Não me entendam mal, eu amei o livro, de verdade, mas foi completamente diferente do que eu teria imaginado. Temos pessoas tão imperfeitas como protagonistas, pessoas que poderiam ser qualquer um de nós, cometendo grandes erros, se arrependendo, tendo pessoas ao seu redor os julgando (e punindo) por eles, tentando entender o que realmente acontece no coração e como é possível ser realmente feliz, sem magoar aqueles que fazem parte da sua vida.

O final foi surpreendente, mas não poderia ter sido mais correto. Claro que senti aquela coceirinha de vontade de saber como aquele verão iria refletir a vida dos personagens daquele momento em diante, mas também fico feliz com a forma como tudo se "resolveu" e como a maioria deles conseguiu crescer e aprender, mesmo que um pouco, com os seus erros.

"99 dias" absolutamente não é um típico romance adolescente. Você vai sentir raiva dos personagens, vai querer entrar no livro e sacudir cada um deles, porém, vai entender que esse é um livro real, cheio de erros, com pessoas que precisam tropeçar muito para aprender a ficar em pé. Só espero que depois desse verão, eles realmente tenham conseguido.

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Garota Tempestade

| 04 setembro 2021 | Nenhum comentário:


Autora: Nicole Peeler
Editora: Valentina
Adquira o seu exemplar: Submarino, Americanas, Shoptime

Jane sempre foi tratada como uma pária em sua pequena cidade. Sua mãe tinha aparecido nua durante uma tempestade e sumido, anos depois, misteriosamente. Jane também era considerada responsável pela morte do namorado. Se isso não fosse o bastante, a menina amava nadar, mesmo que o frio estivesse insuportável (não que ela sentisse), mesmo que o mar estivesse impossível (o que não a afetava), na verdade, isso fazia com que ela se sentisse mais forte. Mas, ao encontrar outro corpo, ela finalmente começa a compreender os motivos de ser tão diferente.

Como eu amo fantasia! Seres míticos, poderes especiais, sociedades secretas... coloque tudo isso em um caldeirão, mexa bem e receba em suas mãos o livro "Garota tempestade".

Jane True descobriu que era apenas metade humana de forma bem peculiar.

Após encontrar um corpo de um ser sobrenatural (por mais que ela não tivesse essa informação) como ele foi assassinado, uma investigação foi aberta para descobrir quem era o assassino. O que fazer quando um vampiro incrível, lindo e poderoso é o detetive responsável pela investigação e parece louco que sua relação logo ficasse mais íntima?

Amo como a protagonista, apesar de sofrer tanto com o ostracismo em sua cidade e por ser tão diferente, encara com coragem esse novo mundo, além de não ser uma mocinha recatada que quer manter distância do vampiro charmoso e sexy, muito pelo contrário.

Em muito pouco tempo a relação física entre Jane e Ryu avança e amei ver como a autora construiu essa relação. Não foi amor à primeira vista, ou um encontro de almas. Eles se sentiam atraídos um pelo outro, gostavam da companhia um do outro e simplesmente estavam dispostos a viverem o momento.

Nenhum dos dois estava completamente perdido naquela relação (que eu, honestamente, não achei que fosse durar... ou que vá durar até o final da série), o que é algo completamente inusitado. Um relacionamento tão importante para a narrativa, ao mesmo tempo tão leve e despreocupado.

Claro que, despreocupado é apenas o relacionamento. Jane percebe que o mundo de sua mãe pode ser cheio de intrigas, preconceitos e artimanhas para que cada ser alcance seu objetivo. Tenho certeza que no primeiro livro da série "Jane True" vimos apenas a ponta do iceberg que é essa sociedade escondida dos olhos humanos.

Ela descobriu que a sua existência é muito mais perigosa do que ser totalmente humana, ou totalmente sobrenatural, que muitos não aceitavam que alguém como ela vivessem entre eles, portanto, ela teria que entender realmente os seus poderes, encontrar o dom que a mãe havia lhe deixado, para começar a se proteger por conta própria.

Também porque Ryu pode ser incrível, um cavalheiro, mas não parece ser o tipo de vampiro que abandonaria sua vida, ou suas investigações, para proteger sua "donzela" em perigo.

"Garota Tempestade" tem vários elementos que eu amo em um livro: seres sobrenaturais, magia, romance, então foi uma leitura super agradável e que deixa aquele gostinho de quero mais para saber por onde a vida de Jane a levará.

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