Princesa das Cinzas

| 04 junho 2021 | Nenhum comentário:


Autora: Laura Sebastian
Editora: Arqueiro
Adquira o seu exemplar: Amazon, Submarino, Shoptime

Ela nasceu para um dia ser Rainha, porém, seu reino foi tomado e sua mãe morta antes que ela sequer entendesse quem realmente era. Agora, a outrora Princesa Theodosia, atendia pelo nome de Thora e não era nada além de um objeto servindo aos objetivos do responsável pela morte de sua mãe e de milhares de seu povo, agora escravizados.

Em geral, a protagonista em uma narrativa deve evoluir, encontrar o seu lugar no mundo e nos mostrar a superação de seus medos, para que aquela história seja realmente instigante de se ler. A autora, Laura Sebastian, não só nos trouxe a evolução da protagonista, como colocou esse fato como o principal elemento que nos conduz durante toda a trama.

Após dez anos sendo prisioneira do kaiser, um homem cruel, que já não lutava mais as suas batalhas, e a punia por qualquer revolta de seu povo, tudo o que Thora conseguia fazer era abaixar a cabeça, sorrir e se mostrar grata por sua benevolência, só assim continuaria viva.

Encontramos a personagem em um momento de extrema fragilidade, um estado de espírito que já perdurava por muitos anos. Ela sofreu desde a infância, cresceu entre inimigos, sabia que não podia confiar em ninguém, portanto, é totalmente compreensível o seu medo, e seria até compreensível que a sua mente já tivesse se perdido completamente após tantos anos de angústia e tortura.

Porém, pela primeira vez, após tanto tempo, um velho amigo surge em sua vida, lembrando quem ela realmente era, de quem ela era filha, e que as poucas pessoas do seu povo que ainda restavam estavam sofrendo, precisando de alguém que lutasse por elas.

Chamada de Princesa das Cinzas pelo kaiser, obrigada a usar uma coroa que se desmanchava, assim como seu Reino, como uma fênix, ela ressurge das cinzas de sua humilhante coroa e, pela primeira vez, consegue ver alguma esperança para o futuro. Que não seja para ela, ao menos para o povo que ela, e sua mãe, tanto amaram.

Confesso que foi muito difícil ler certas cenas. A autora não foi nem um pouco piedosa com a sua personagem. É incrível ver o quanto Theo é forte, pois quase ninguém conseguiria superar tantos traumas, abusos e traições e manter sua mente sã o suficiente para lutar pelo seu lugar de direito, contra aqueles que só dizimavam vidas.

Conforme prosseguimos na narrativa, entendemos que o kaiser é como um parasita que invade os lugares, acaba com todos os recursos, enquanto escraviza o povo, fazendo-os morrer pouco a pouco de privações. Não tem como não odiar um personagem tão cruel, o que torna tão difícil quando o seu filho entra em cena.

Aparentemente, Soren discorda das atitudes do pai, e quando herdar o seu lugar pode tornar muitas coisas diferentes. Porém, ele cresceu em um mundo de escravos, invasões, de tomar a força aquilo que ele queria. Por mais que não concordasse com as torturas que o pai impõe a antiga princesa, por muito tempo não consegue afrontá-lo, por mais que não concorde com a sua forma de tomar algo a força, não recua quando tem que ser o braço que desempenha esse papel.

Claro que estou apaixonada por esse filho. Amo personagens controversos, que fazem a nossa cabeça pirar tentando entender de que lado ele está, se terá coragem de fazer as escolhas certas, porém, sofri muito com suas escolhas e a que lugar elas o levaram.

No final do livro esse é o grande estopim: escolhas. Escolher entre o dever e o coração, entre um povo e um homem, entre o que você foi ensinado durante toda a sua vida, ou o que diz seu coração.

Impossível não querer começar a sequência imediatamente. "Princesa das cinzas" é uma obra incrível. Que jornada de superação, permeada por tanta crueldade, ganância e injustiças. Um reino que era perfeito, agora quase esgotado como cinzas, assim como a sua princesa. Porém, se nas cinzas ainda restarem uma fagulha, ela pode ser acesa. No próximo livro vamos ver se essa fagulha vai apagar completamente, ou virar um grande incêndio.

Leia Mais

O dia em que você chegou

| 24 maio 2021 | Um comentário:


Autora: Nana Pauvolih
Editora: Valentina
Adquira o seu exemplar: Amazon, Submarino

Se existe uma personagem que foi maltratada pela vida, de todas as formas possíveis, seu nome é Angelina.

Ela perdeu a mãe ainda criança e o pai desapareceu. Encontrou em uma vizinha uma mãe verdadeira, mas ela também foi levada pela vida. A única pessoa que sobrou foi sua melhor amiga e irmã de criação, Lila. O único momento realmente bom de sua vida, quando ela achou que finalmente seria feliz, desmoronou como areia no deserto.

Morar com um namorado incrível como Adriano deveria ser perfeito, até que a sua doença começa a ser demais para ele. Angelina sofria de artrite reumatoide, uma doença que a impedia de andar sem muletas e a fazia sentir dores terríveis, principalmente durante suas crises.

A separação foi terrível, marcou seu coração e sua alma profundamente, a lembrando sempre de não deixar nenhum outro homem entrar em sua vida, pois aquela situação seria demais para qualquer um. Mesmo que demorasse, em algum momento, "ele" veria o fardo que Angelina seria em sua vida e a deixaria.

Ela não aguentaria passar por algo assim novamente. Era melhor viver sua vida pacata, trabalhando com suas traduções, saindo de casa apenas para a fisioterapia e seguindo com o seu coração seguro.

Seu plano seria perfeito, se Valentim não surgisse em sua vida. Jovem, lindo, dono de uma academia, alguém que amava praia, esportes radicais e sair com seus amigos a todo o momento. Totalmente o oposto do que Angelina poderia ter em sua vida, se ela quisesse alguém em sua vida, mas, como mandar no coração, quando ele coloca alguém perfeito para você em seu caminho?

Esse livro me fez suspirar de amor, me fez morrer de pena da Angelina, ao mesmo tempo em que eu fiquei muito orgulhosa de sua força e coragem. Também me fez odiar certos personagens e situações a ponto de me fazer chorar de tanta raiva.

Nunca encontrei em um livro uma pessoa fechada para o amor, que não queria mais se machucar, mas que tivesse um motivo tão forte e compreensível quanto o dessa narrativa. A autora, Nana Pauvolih, não foi nem um pouco gentil com a sua personagem.

Angelina tinha uma doença muito séria, com crises terríveis, em que era preciso realmente ter muita coragem, muito amor envolvido, para permanecer ao seu lado, cuidando dela nos momentos em que ela está mais debilitada.

Valentim tem uma vida completamente oposta à realidade de Angelina. Ela jamais poderia acompanhá-lo nas coisas que ele mais gostava de fazer. Ele teria que abrir mão de muito para ficar ao seu lado, ambos tinham consciência disso.

A história aqui não é apenas sobre o amor, mas o quanto uma pessoa está disposta a abrir mão, ou a se esforçar além de seus limites, por aquele que ama e o quanto essa mudança de vida pode desgastar uma relação que mal começou.

Que história incrível! Estou completamente apaixonada. Fiquei com o coração apertado durante quase toda a narrativa, torcendo para que Angelina abrisse de verdade o seu coração, entendesse que ela tinha sim o direito de ser feliz, mesmo com a sua doença. Alguém tão machucada, tão ferida pela vida merecia nem que fosse um único momento de felicidade e amor.

"O dia em que você chegou" é uma obra romântica, linda, que trata o amor com a delicadeza que ele deve ser. Um amor puro, um amor que não enxerga limitações, barreiras ou diferenças. Um amor que realmente leva a sério os dizeres "na saúde e na doença", e nos faz levar esses personagens no coração até o fim... e além dele.

Leia Mais

Um assassino nos portões

| 06 abril 2021 | Nenhum comentário:


Autora: Sabaa Tahir
Editora: Verus
Adquira o seu exemplar: Amazon, Submarino, Americanas 
Livros anteriores: Uma chama entre as cinzas | Uma tocha na escuridão

Elias, Laia e Helene estão lutando batalhas distintas, mas todas com um mesmo propósito: salvar os eruditos, o império e deter o Portador da Noite.

Laia e Darin, com a ajuda de Elias, tentam libertar os eruditos presos pelos marciais, porém, o novo Apanhador de Almas tem cada vez mais dificuldades em deixar o Lugar da Espera para ajudar seus amigos. Ele deve se livrar de toda a sua humanidade, de todos os seus sentimentos para fazer o trabalho que lhe foi designado. Passar os fantasmas adiante era sua obrigação, e não desempenhar corretamente com o seu dever poderia ser a destruição de todo o mundo.

Helene luta contra uma guerra iminente, enquanto lida com um Imperador assombrado pelo fantasma do irmão, protege a própria irmã, que carrega no ventre a única esperança de um futuro e tem que descobrir uma forma de finalmente derrotar a comandante, que fica cada vez mais forte.

Que livro desesperador! Os dois primeiros livros são incríveis, fantásticos, em vários momentos temos sopros de esperança, planos que funcionam conforme os protagonistas planejaram, o que acalenta um pouco nossos corações, algo que não acontece no terceiro livro da série.

Os poucos momentos de esperança, vitória, logo são sobrepujados. Todos os planos, aparentemente perfeitos, são derrotados de forma surpreendente. Nossos protagonistas realmente enfrentam seus destinos de forma cruel, tentando fazer o que é certo, salvar quem precisa de ajuda, porém a autora, Sabaa Tahir, sacou a sua cimitarra para atacar nossos corações a cada página.

Se esse livro tem muito sangue derramado, muito dele veio dos corações de quem estava lendo.

Laia sabe muito bem o que ela deve fazer: impedir que o Portador da Noite consiga o último pedaço da estrela e liberte os djinns. Essa é a sua missão, mas ver o seu povo sofrendo não é algo que ela consiga assistir e seguir em frente. Nesse livro, a filha da Leoa realmente assume o seu destino, mostra que, por mais que não queira, pode realmente ser uma líder.

Alguém que coloca seu povo à frente de qualquer outra coisa, que se separa do irmão, que ela tanto lutou para salvar, para fazer o que é certo. Isso mostra a força, o caráter e o amor do coração de alguém que sabe o que é justo, mesmo que já tenha sido tão ferida pela vida.

No Lugar da Espera, encontramos Elias tentando fazer o que é certo para seu povo, seus amigos e para os fantasmas, porém, ele precisa escolher um lado, ou então nenhuma de suas missões seria bem-sucedida. Vê-lo vestir novamente sua máscara (não literalmente), mas encontrando dentro dele aquele espírito de guerreiro impiedoso, foi cruel, mas necessário.

Elias tem nas suas mãos talvez a mais importante das missões. Cuidar dos fantasmas não apenas protegeria seus amigos dessa ameaça, mas todo o mundo, por muitas gerações. Mas, diferente de Laia, Elias não consegue realmente colocar o seu dever à frente das pessoas com quem ele tanto se importa, muito menos a frente da mulher que ele ama.

Por último temos a Águia de Sangue. É desesperador vê-la tentar fazer o que é certo, manter o império conforme deve ser, com um Imperador enlouquecido sendo assombrado pelo irmão, enquanto é apunhalada de todos os lados, pelos planos maquiavélicos da comandante.

É intenso e angustiante não saber o que Keris Ventura fará a seguir. A única vitória real de Helene sobre a comandante não consegue diminuir o desespero que sentimos. Não saber suas reais intenções, conhecendo o seu poder de manipulação, e seu poder real, vindo do Portador da Noite, só pode nos deixar ainda mais tensos do que virá a seguir, de como será a sua vingança, quais seus reais objetivos e o principal: até onde ela estaria disposta a ir para alcançá-los.

"Um assassino nos portões" não é uma narrativa fácil de se ler. É intensa, incrível, fantástica, supera os outros livros sem nenhuma dúvida, mas não traz nenhum tipo de acalento ao coração de quem está lendo. Um livro desesperador para quem ama Elias, Laia e Helene e espera suas vitórias, ou a sua união. Preciso, mais do que tudo, do próximo livro, o último da série.

E espero que esse seja bonzinho com essa leitora que torce por um final feliz.


A seguir, alguns comentários COM spoilers:

*

*

*

*

*

*

*

*

*

*

*

*

*

*

*

*

*

Ainda está por aqui? Siga por sua conta e risco rsrs


O QUE É ESSE LIVRO?????

Estou desesperada com esse final tão cruel, sem esperança...

(Não que todo o livro não tenha sido assim)

Sabaa Tahir devia estar com muita raiva de Elias, Laia e Helene ao escrever essa narrativa, ou com uma vontade enorme de fazer seus leitores sofrerem.

Helene não era minha personagem favorita no primeiro livro (torcer muito por Elias e Laia teve suas consequências), porém, quando ela também começou a narrar a história, quando vi sua força e objetivos, seu sofrimento, foi impossível que ela não entrasse em meu coração, mas ela precisava sofrer tanto assim?

Alguém tão importante para o Império, com a cabeça no lugar, que faz aquilo que ela acredita ser o certo, mas totalmente sobrepujada por alguém tão vil a cada momento. Aquele final, minha nossa, ela entregando sua máscara para o Portador da Noite, sozinha, com seu exército aniquilado, eu realmente achei que ela fosse morrer.

E, quando ela tem a chance de encontrar um pequeno bálsamo, um sopro de amor e felicidade, a Águia de Sangue se recusa a ter essa chance, colocando sempre seu dever em primeiro lugar.

Realmente, a única coisa boa e esperançosa desse livro é o filho do Imperador ter sobrevivido, o que eu realmente achei que não fosse acontecer. Talvez a autora tenha tido um momento de misericórdia ao escrever essa cena.

Faz muito tempo que eu não odiava tanto uma personagem quanto Keris Veturia. Realmente, eu poderia ter entrado no livro e torcido o seu pescoço (se isso fosse possível). É muito frustrante, triste, nos enche de raiva ver a vilã ganhando tantas vezes seguidas... Odiar é um sentimento muito ruim, mas não posso negar que senti isso nesse livro.

Agora, descobrir que a cozinheira é a mãe de Laia e Darin, descobrir que ela matou o pai e a irmã mais velha de ambos e, sem uma conversa realmente franca, sem ela reencontrar Darin, a Leoa ser morta, foi a facada final no meu coração.

Não a facada final mesmo, porque ainda temos Elias totalmente dominado pelo Mauth, com todas as suas ações sob o controle desse ser superior, e todas as suas emoções reprimidas, gritando dentro dele por liberdade, mas contidas de forma insuperável.

Agora, Laia não conseguiu deter o Portador da Noite, Elias não é mais ele mesmo, Helene é praticamente uma foragida, pois Keris assumiu como Imperatriz, e o Portador da Noite libertou os djinns... É desespero que chama?

Leia Mais

Holo, Meu Amor

| 29 março 2021 | Nenhum comentário:


Devido a uma doença que a impedia de reconhecer qualquer rosto, Han So-yeon era uma pessoa solitária, que evitava de se aproximar de quem quer que fosse para, assim, não ter que admitir a sua doença, até que óculos misteriosos aparecem em sua vida.

Uma avançada tecnologia com uma inteligência artificial holográfica, a qual ela podia ver e interagir cada vez que usava o equipamento. Holo se tornaria seu melhor amigo, seu confidente e até um grande amor. Porém, grandes e inescrupulosas empresas estavam atrás daquele avanço tecnológico, e o seu criador era alguém que Han So-yeon conhecia muito bem e já considerava a pessoa mais importante de sua vida.

Histórias com essas temáticas são incríveis, mas também assustadoras. Assim como o dorama "Love Alarm", que também conta sua história através de uma avançada tecnologia, e como ela pode influenciar a vida das pessoas, aqui também temos essa forma de escapismo.

Óculos com uma inteligência artificial, alguém que pode te ajudar a todo o momento, que sempre concorda com suas opiniões, e te adora como ninguém. Porém, assim como todas as tecnologias com as quais já convivemos diariamente, pode te afastar ainda mais das pessoas.

Han So-yeon era uma pessoa sozinha. Com Holo em sua vida, tudo havia mudado para melhor. Agora, com a ajuda da IA, ela conseguia reconhecer a todos ao seu redor, terminar o seu trabalho em tempo record, e até sair com seus colegas de trabalho, algo que jamais achou ser possível sem Holo ao seu lado.

A sua dependência era muito clara, porém, o personagem é muito mais que um computador. Ele foi criado com sentimentos, emoções, afeto. Impossível não se apaixonar por um ser que, mesmo não existindo no mundo real, age como uma criança feliz desbravando o mundo, querendo fazer a sua usuária feliz.

Porém, temos nessa narrativa Go Nan-do, criador da tecnologia, dono de uma grande empresa, mas, também, um fantasma.

O gênio havia simulado sua morte, há muitos anos, e agora, usava sua irmã como rosto da empresa e criadora dessa tão avançada tecnologia. Todos estavam ansiosos pelo lançamento, porém, vendo a relação de Holo e Han So-yeon, Go Nan-do tinha medo de lançar no mercado um produto que, ao invés de felicidade, causasse sofrimento ao usuário, devido a sua capacidade de amar, e de usar todos os meios possíveis para fazer, o que quer que fosse, para tornar o usuário feliz.

Apesar da sua resistência, Go Nan-do usa o fato dos óculos terem parado nas mãos de Han So-yeon como a oportunidade de fazer um teste beta com Holo, porém, isso também a colocava em perigo.

Ele seria obrigado a protegê-la muito de perto, o que também faria com que aquele homem insensível e frio, totalmente ao contrário da sua criação, conhecesse alguém que faria até uma inteligência artificial se apaixonar.

Esse é um dorama realmente lindo. A relação de Han So-yeon e Holo é algo complicado de se descrever e tentar chegar a uma conclusão em determinados episódios. Eles são perfeitos juntos, têm um carinho muito especial um pelo outro, porém, como uma mulher poderia ter uma relação com um holograma? Alguém que nunca poderia tocá-la, ou que ela poderia sentir?

Go Nan-do só tinha a mesma aparência de sua criação, porém, o princípio da criação de Holo era para que, a criança solitária e complicada que ele foi, finalmente tivesse um amigo. Por essa razão a IA era tão perfeita e companheira. Alguém que, bem no fundo, seu criador também gostaria de ser, para que assim as pessoas realmente se aproximassem, por mais que ele ainda não soubesse que era esse o seu maior desejo.

"Holo, Meu Amor" é fascinante! Os personagens nos deixam completamente divididos para quem devemos torcer, se suas atitudes são corretas, ou mesmo se seria bom para a humanidade uma tecnologia tão "humana". Se isso ajudaria as pessoas ou se as afastaria ainda mais umas das outras. O dorama tem um final triste, mas de uma maneira esperançosa. Assim como Han So-yeon, também estou completamente apaixonada!

Leia Mais

Ídolo Teen

| 22 março 2021 | Nenhum comentário:


Autora: Meg Cabot
Editora: Galera Record
Adquira o seu exemplar: Submarino, Americanas, Amazon

Jenny tinha uma vida escolar conturbada. Lidar com um coral do qual ela não gostava, ser responsável por consolar os amigos, manter a identidade secreta de aconselhadora da escola e ser aquela menina de quem todos gostavam, mas que não chamava a atenção. Porém, ser a queridinha de todos, inclusive dos professores, traria para a sua vida uma missão ainda mais desafiadora: esconder a verdadeira identidade do mundialmente conhecido jovem ator Luke Striker, que estaria em sua escola por algumas semanas, disfarçado, como um treinamento para o seu novo filme.

Às vezes, um leve romance adolescente é tudo o que precisamos na vida, e esse livro chegou por aqui no momento certo. Meg Cabot não só criou uma história divertida e engraçada, mas com valores reais que são necessários para o amadurecimento, com passagens importantes da vida de pessoas jovens para a fase adulta.

O livro todo é narrado do ponto de vista de Jenny, que é uma personagem incrível. Acho que essa foi uma das mais delicadas e bem escritas narrativas sobre a descoberta real de um sentimento com que já me deparei

A personagem deixa bem claro o que passa pelo seu coração, pela sua mente, desde as primeiras páginas da história, porém, nunca vi alguém negar os seus sentimentos de forma tão coerente, digamos assim.

Em geral, quando um personagem quer negar o seu amor por outro, nossa vontade é de entrar no livro e colocar juízo na cabeça da pessoa em questão, mas aqui a autora foi tão precisa em escrever essas cenas que, apesar de óbvio, foi bonito, romântico e verdadeiro ver Jenny aceitando os seus sentimentos e finalmente se abrindo para o que o seu coração desejou por muito tempo.

A chegada de Luke Striker na escola a abalou, apesar de ela não ser realmente fã do garoto, porém, que adolescente (ou não tão adolescente assim, não sei que reação eu teria no lugar dela rsrs) não se abalaria na presença de um astro, lindo de morrer, com um olhar penetrante e uma voz arrasadora que conquistou o mundo? Mas, mesmo toda a beleza e charme do mundo não poderiam competir com um amor verdadeiro.

Meg Cabot não só criou uma história linda, mas, com certeza, fugiu de um clichê clássico desse tipo de narrativas, conseguindo chegar ao fim da sua história nos fazendo torcer pelos personagens certos e nos juntarmos a eles em seu momento de felicidade e novas descobertas (descobertas que até mereciam um novo livro).

Antes de começar a ler, esperava uma história fofa, mas completamente diferente, portanto, foi uma surpresa incrível que a autora tenha sido tão corajosa e não seguido o que seria o esperado para uma história entre um astro do cinema e a protagonista.

"Ídolo Teen" é um livro de romance lindo, adolescente, mas que vai além de simplesmente ter um astro do cinema estudando em uma escola onde as garotas morrem por ele. É uma obra sobre autoconhecimento, onde a protagonista que descobre os seus sentimentos, mas, além disso, descobre sobre como ela pode fazer muito mais por todos aqueles que estão à sua volta, se ela tiver coragem e, quem sabe, um empurrãozinho de uma estrela do cinema.

Leia Mais

A Prisão do Rei

| 14 março 2021 | Nenhum comentário:


Autora: Victoria Aveyard
Editora: Seguinte
Adquira o seu exemplar: Submarino, Americanas
Livros anteriores: A Rainha Vermelha | Espada de Vidro

Mare trocou a sua liberdade pela vida de seus companheiros. Agora, a mercê do Rei Maven, ela só podia focar seus pensamentos em como iria fugir daquele tormento. Acompanhada constantemente de pedras silenciosas e prateados que suprimiam o seu poder, cada dia era um martírio. Para piorar, Maven não havia se tornado uma pessoa melhor após se ver livre do domínio de sua mãe. A maldade estava entranhada naquele menino que um dia Mare amou, mas que aparentemente não mais existia.

Victoria Aveyard sabe realmente como criar clímax impactantes. Mal pude respirar durante todo o livro, em meio a agonia que Mare e todos aqueles que estavam longe dela viviam. Ter mais duas narradoras nessa narrativa, Cameron e Evangeline, foi algo que eu nunca imaginei. Duas perspectivas tão diferentes, tão opostas, mas, ao mesmo tempo, que nos trazem uma forma completamente diferente de analisar todos os acontecimentos, fora do olhar já conhecido da protagonista.

Quando temos a narrativa do ponto de vista de Mare, acompanhamos o seu sofrimento, a sua aflição em não ter acesso ao seu poder, em ter sua mente novamente torturada, estar cercada de inimigos, porém, sua principal dor é estar ao lado de Maven, ver os olhos mais gentis de sua existência tomados de horror, refletindo agora o monstro que ele havia se tornado.

Não é possível definir exatamente o que o novo Rei sente por Mare. Ele é um ser amargurado, angustiado, que não confia em ninguém, mas que nutre uma obsessão sem precedentes por aquela que um dia foi sua noiva. Maven era, aparentemente, transparente no primeiro livro, uma pessoa fácil de se ler, mas isso ficou para trás. Não é possível saber se resta amor no seu coração, se já existiu um dia, ou se a mãe destruiu completamente o ser humano que possa ter existido.

Foi ainda mais difícil ver Maven nesse livro. Não consigo esquecer o quanto ele foi especial em "A Rainha Vermelha". Ficamos a todo momento, assim como Mare, em busca daquele garoto tão jovem e tão gentil. Cada vislumbre, cada olhar, é uma esperança para nós, e para Mare, de que ele ainda exista. Porém, essa esperança não dura muito tempo.

A autora deixa a prisão de Mare para nos colocar no meio da Guerra e dos planos da Guarda Escarlate através da visão de Cameron. Uma sanguenova com poderes assustadores. Matar com apenas um olhar pode deixar qualquer um com medo, principalmente alguém que só deseja salvar o irmão.

Mas é incrível ver personagens importantes pelos seus olhos, principalmente o ex-herdeiro do trono de Norta. Sempre vimos Cal pelos olhos de Mare, agora, o vemos pelo ponto de vista de alguém que vê o príncipe apenas como um covarde, alguém que não consegue escolher um lado, que nunca viu os vermelhos como iguais. Vimos defeitos de Cal que antes nunca foram mostrados.

Ele nunca foi uma pessoa perfeita, muito pelo contrário, mas, nunca ficou tão claro suas deficiências, o quanto sua criação o deixou insensível diante de muitas coisas. Quando se trata de guerra, o personagem ainda deixa bem claro qual é a cor do seu sangue, e qual sangue derramado o machuca mais.

O que Cal sente por Mare é a única coisa cristalina. Seu desespero por ela estar nas mãos de seu irmão, o que ela deveria estar sofrendo, o matava a cada dia. Para alguém que seria Rei, seu único ideal de vida parecia ser salvar a sua amada, não importando as consequências.

Por mais que o ponto de vista de Cameron seja muito interessante, nada se compara aos capítulos narrados por Evangeline. Impossível não odiar alguém tão cruel e egoísta nos dois primeiros livros, assim como é impossível não se compadecer se suas dores quando acompanhamos a sua perspectiva. Alguém que nunca foi dona da própria vida, que nasceu para cumprir um desejo de seus pais, que nunca teve realmente voz para fazer o que quisesse.

No único momento em que ela tem um sopro de esperança, de que poderia se livrar de um destino terrível, tudo é tirado dela novamente. Não digo que Evangeline se tornou uma personagem maravilhosa, uma mocinha lutando pelo seu amor, mas, vendo o mundo através dos seus olhos, é impossível não entender suas atitudes e seu comportamento.

Quando um autor nos faz ver personagens já conhecidos com outros olhos, é sempre um golpe de mestre.

"A Prisão do Rei" é como uma prisão para os leitores. O livro te prende e te esmaga a cada página, e não sabemos se venceremos essa guerra, até a última página, quando a autora, mais uma vez, termina a narrativa com a intenção de nos enlouquecer.

 

A seguir, alguns comentários COM spoilers:

*

*

*

*

*

*

*

*

*

*

*

*

*

*

*

*

*

Ainda está por aqui? Siga por sua conta e risco rsrs

 

Posso gritar? É o que eu mais quero fazer ao terminar esse livro. Estou tão desapontada com tantos personagens. São tantas manipulações, tanta política... É angustiante de ler, mas não deixa de ser uma angústia incrível.

Será que a mente de Maven pode ser salva?

Será que existe alguma chance daquele menino gentil ainda existir dentro dele, ou a mãe destruiu qualquer traço de bondade de sua mente?

Cal está realmente disposto a deixar Mare e se casar com Evangeline para se tornar Rei?

Ele realmente será um Rei melhor, mesmo que tenha que magoar tantas pessoas para isso?

Tem alguém realmente com boas intenções nesse livro, alguém que possa ser um bom governante, alguém sem objetivos egoístas?

Sempre disse e repito, bons livros são aqueles que nos causam grandes emoções, por mais que elas nem sempre sejam boas...

Porém, antes desse final desesperador, amei cada cena entre Cal e Mare, pena que, mais uma vez, vou ter que esperar mais um livro para saber o que finalmente irá acontecer entre eles...

Leia Mais

Uma tocha na escuridão

| 09 março 2021 | Nenhum comentário:


Autora: Sabaa Tahir
Editora: Verus
Adquira o seu exemplar: Amazon, Americanas, Submarino
Livro anterior: Uma chama entre as cinzas

A quarta eliminatória finalmente chegou ao fim. O instável e cruel Marcus é o novo Imperador, enquanto Helene é sua Águia de Sangue. Elias e Laia lutam pela sua sobrevivência enquanto são caçados pelo Império. Laia quer desesperadamente salvar o irmão da pior prisão do Império, e Elias aceita ajudá-la em sua missão, e continuaria a ajudando até o seu último suspiro.

Eu, sinceramente, pensei que terminar "Uma chama entre as cinzas" tinha sido algo intenso e desesperador, mas não podia chegar nem perto de imaginar o que a autora, Sabaa Tahir, planejava para essa continuação.

Agora, além dos pontos de vista de Elias e Laia, também podemos acompanhar o sofrimento de Helene em primeira mão. Apesar de ser, em teoria, a segunda pessoa mais importante do Império, Marcus não quer ouvir seus conselhos e opiniões, tudo o que importa ao novo Imperador é o sofrimento de sua Águia de Sangue. Então, que melhor missão ele poderia lhe impor do que caçar e matar aquele que foi seu melhor amigo e grande amor?

Não é fácil acompanhar a angústia e todas as atribulações de Helene nesse livro, alguém que cresceu em uma família em que ser fiel ao Império sempre viria em primeiro lugar. Alguém que sempre colocou a sua fidelidade acima de qualquer coisa e agora precisava aguentar as acusações, punições e decisões mesquinhas de um Imperador sem coração, mas que o seu dever a obrigava a obedecer.

Por torcer muito por Elias e Laia como casal, no primeiro livro, nunca me apaixonei por Helene como personagem, mas seria impossível que isso não acontecesse nessa sequência após ver o mundo através de seus olhos, sofrer e sentir suas dores, desejar que ela se libertasse de suas crenças de que servir ao Império sempre deveria vir em primeiro lugar, apesar de compreender suas razões.

Passar pelo o que a personagem passou nesse livro, ser totalmente quebrada, da pior maneira possível, só me faz querer muito ver a sua evolução na continuação e finalmente descobrir se a autora fará com que ela solte os seus grilhões ou se torne a mão que um Imperador tão cruel precisa para manter o seu domínio.

Protagonizando a outra linha dessa narrativa, temos Elias e Laia, personagens que eu amei intensamente no primeiro livro, mas me fizeram sofrer como nunca em sua jornada para libertar o irmão de Laia da prisão.

Libertar Darin não era uma missão apenas para resgatar o último membro vivo da família da protagonista. Ele possuía um conhecimento que poderia ajudar os eruditos e mudar completamente o rumo dessa guerra contra os marciais.

Em um momento em que a comandante parecia querer exterminar todos os eruditos da face da Terra, a esperança que o irmão de Laia poderia trazer era sem precedentes. Aliás, temos aqui uma personagem que consegue nos fazer chegar em todos os níveis possíveis de ódio. Esse é um livro com vários vilões, ouso dizer com mais vilões do que heróis, porém, não é possível odiar alguém mais do que a comandante, por mais que outro personagem (ainda com muito para compreendermos dele) chegue bem perto.

No primeiro livro temos uma primeira visão do mundo sobrenatural criado pela autora, algo que inunda as páginas dessa sequência de modo mágico, profundo e assustador. Poderes desconhecidos começam a surgir, personagens misteriosos têm alguns de seus segredos revelados e alguém muito importante na história renasce como algo que espero que possamos compreender melhor nos próximos livros da série.

"Uma tocha na escuridão" não é só mais um livro de fantasia, é uma narrativa épica. Temos elementos fantásticos, mas temos muito da natureza humana, seja saudade, coragem, vingança, remorso, ganância, traição, tristeza e, é claro, amor. Com um final, se não tão tenso quanto o do livro anterior, tão grandioso quanto, para nos fazer desejar, como Laia desejou encontrar o seu irmão, saber o que vai acontecer com personagens tão incríveis.

Acredito que nem os adivinhos saibam a resposta para isso.

Leia Mais