Autora: Suzanne Collins
Editora: Rocco
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Sinopse: Ao amanhecer
do dia da colheita da Quinquagésima Edição dos Jogos Vorazes, o medo toma conta
dos distritos de Panem. Nesse ano, em comemoração ao Massacre Quaternário, o
dobro de tributos será levado de suas casas.
No Distrito 12, Haymitch Abernathy está tentando não pensar
muito nas suas chances de ser sorteado – só quer sobreviver ao dia e passar um
tempo com a garota que ama.
Mas, ao ser escolhido, todos os sonhos de Haymitch
desmoronam. Ele é separado da família e da namorada e enviado para a Capital
com outros três tributos do Distrito 12: uma menina que considera quase uma
irmã, um rapaz viciado em calcular chances e apostas, e a garota mais arrogante
da cidade.
Conforme os Jogos se aproximam, Haymitch compreende que está
tudo armado para o seu fracasso, mas parte dele deseja lutar... e deseja também
que essa luta reverbere muito além da arena mortal.
***
Ler um prequel é sempre um sofrimento que começa antes da
primeira página. Nós já conhecemos a história de Haymitch, sabemos que ele não
tem ninguém, que a Capital tirou tudo dele. Com todas essas informações, ler o
começo do livro e conhecer as pessoas da sua vida, torna algo que seria normal
(uma mãe, um irmão, uma namorada...), algo totalmente cruel.
Eu nunca imaginaria que Haymitch sequer tinha sido realmente
sorteado para participar dos jogos. Isso explica muito da sua revolta no futuro:
ser escolhido apenas por tentar defender alguém que ele ama.
Suzanne Collins é má, muito má. Enfiar uma faca no coração
dos leitores (ou nos jogar em uma arena cheia de bestantes), talvez doesse
menos.
Esse livro conseguiu destruir meu coração ainda mais do que em
A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes. Afinal de contas, nós conhecemos Haymitch
há muito tempo, e aqui o protagonista não era o vilão de toda a história.
Foi cruel finalmente ver tudo o que aconteceu na arena no Quinquagésimo
Massacre Quartenário. Eu sempre soube que Haymitch era muito mais do que um
homem bêbado e sarcástico, que ele era alguém confiável e que defendia os seus
quando a situação realmente exigia, mas, ver o quanto ele foi corajoso na
arena, ver ele defender seus aliados (e amigos), e acompanhar todo o seu
sofrimento, que não termina quando os jogos acabaram, muito pelo contrário...
vamos combinar que ele até bebia pouco, para tanto sofrimento.
Precisa ser muito forte e ter muita resiliência para perder
tudo, absolutamente tudo, na sua vida e, ainda assim, continuar vivendo, apenas
para cumprir uma promessa, apenas para tentar impedir o próximo amanhecer na
colheita.
Parece tão simples aquela frase no final de “A Esperança”,
quando Katniss cita que Haymitch cria gansos... essa frase agora tem um
significado completamente diferente, claramente mais sofrido.
Eu sempre achei que o final de Katniss e Peeta tinha sido
triste, que ninguém como eles conseguiria ter realmente um final feliz, não
depois de tanto sofrimento, mas eu estava enganada, alguns finais são ainda
piores.
Aqui, nesse livro, finalmente vemos o quão grande era o
coração dele e o quanto ele sofreu pela solidão, só para que mais ninguém
morresse por sua causa. Se, por algum momento, alguém duvidou do quando Snow
poderia ser cruel, esse livro prova que o presidente nunca teve nada além de
podridão naquele coração.
Os jogos até parecem menos cruéis (se é que é possível dizer
algo assim), na era de Katniss e Peeta. Ao menos, os brinquedos da Capital nessa
época, antes e depois dos jogos, eram tratados com mais luxo, e não tratados
100% como animais.
A volta de Haymitch com os caixões para o distrito 12 foi o
prego que faltava para fechar o caixão no meu coração. E eu mal podia imaginar
que o sofrimento que viria poderia nos enterrar ainda mais profundamente.
Eu terminei esse livro com a conclusão de que: por mais que
a guerra tenha acabado em A Esperança, nenhum personagem ali teve realmente um
final feliz. São livros incríveis, com histórias de tirar o fôlego de tão bem
escritas, mas que conseguem arrasar completamente o coração e a mente de quem
os lê.
Acho que eu preciso de uma continuação, algum personagem que
tenha um futuro bom, um futuro realmente de esperança (os filhos de Katniss e
Peeta, talvez), para tirar essa pedra que se instalou no meu peito ao terminar
de ler esse livro.
Se a tia Suzanne Collins só queria ver o nosso sofrimento e
arrancar muitas lágrimas... parabéns, você conseguiu mais uma vez.
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