Um assassino nos portões

| 06 abril 2021 | Nenhum comentário:


Autora: Sabaa Tahir
Editora: Verus
Adquira o seu exemplar: Amazon, Submarino, Americanas 
Livros anteriores: Uma chama entre as cinzas | Uma tocha na escuridão

Elias, Laia e Helene estão lutando batalhas distintas, mas todas com um mesmo propósito: salvar os eruditos, o império e deter o Portador da Noite.

Laia e Darin, com a ajuda de Elias, tentam libertar os eruditos presos pelos marciais, porém, o novo Apanhador de Almas tem cada vez mais dificuldades em deixar o Lugar da Espera para ajudar seus amigos. Ele deve se livrar de toda a sua humanidade, de todos os seus sentimentos para fazer o trabalho que lhe foi designado. Passar os fantasmas adiante era sua obrigação, e não desempenhar corretamente com o seu dever poderia ser a destruição de todo o mundo.

Helene luta contra uma guerra iminente, enquanto lida com um Imperador assombrado pelo fantasma do irmão, protege a própria irmã, que carrega no ventre a única esperança de um futuro e tem que descobrir uma forma de finalmente derrotar a comandante, que fica cada vez mais forte.

Que livro desesperador! Os dois primeiros livros são incríveis, fantásticos, em vários momentos temos sopros de esperança, planos que funcionam conforme os protagonistas planejaram, o que acalenta um pouco nossos corações, algo que não acontece no terceiro livro da série.

Os poucos momentos de esperança, vitória, logo são sobrepujados. Todos os planos, aparentemente perfeitos, são derrotados de forma surpreendente. Nossos protagonistas realmente enfrentam seus destinos de forma cruel, tentando fazer o que é certo, salvar quem precisa de ajuda, porém a autora, Sabaa Tahir, sacou a sua cimitarra para atacar nossos corações a cada página.

Se esse livro tem muito sangue derramado, muito dele veio dos corações de quem estava lendo.

Laia sabe muito bem o que ela deve fazer: impedir que o Portador da Noite consiga o último pedaço da estrela e liberte os djinns. Essa é a sua missão, mas ver o seu povo sofrendo não é algo que ela consiga assistir e seguir em frente. Nesse livro, a filha da Leoa realmente assume o seu destino, mostra que, por mais que não queira, pode realmente ser uma líder.

Alguém que coloca seu povo à frente de qualquer outra coisa, que se separa do irmão, que ela tanto lutou para salvar, para fazer o que é certo. Isso mostra a força, o caráter e o amor do coração de alguém que sabe o que é justo, mesmo que já tenha sido tão ferida pela vida.

No Lugar da Espera, encontramos Elias tentando fazer o que é certo para seu povo, seus amigos e para os fantasmas, porém, ele precisa escolher um lado, ou então nenhuma de suas missões seria bem-sucedida. Vê-lo vestir novamente sua máscara (não literalmente), mas encontrando dentro dele aquele espírito de guerreiro impiedoso, foi cruel, mas necessário.

Elias tem nas suas mãos talvez a mais importante das missões. Cuidar dos fantasmas não apenas protegeria seus amigos dessa ameaça, mas todo o mundo, por muitas gerações. Mas, diferente de Laia, Elias não consegue realmente colocar o seu dever à frente das pessoas com quem ele tanto se importa, muito menos a frente da mulher que ele ama.

Por último temos a Águia de Sangue. É desesperador vê-la tentar fazer o que é certo, manter o império conforme deve ser, com um Imperador enlouquecido sendo assombrado pelo irmão, enquanto é apunhalada de todos os lados, pelos planos maquiavélicos da comandante.

É intenso e angustiante não saber o que Keris Ventura fará a seguir. A única vitória real de Helene sobre a comandante não consegue diminuir o desespero que sentimos. Não saber suas reais intenções, conhecendo o seu poder de manipulação, e seu poder real, vindo do Portador da Noite, só pode nos deixar ainda mais tensos do que virá a seguir, de como será a sua vingança, quais seus reais objetivos e o principal: até onde ela estaria disposta a ir para alcançá-los.

"Um assassino nos portões" não é uma narrativa fácil de se ler. É intensa, incrível, fantástica, supera os outros livros sem nenhuma dúvida, mas não traz nenhum tipo de acalento ao coração de quem está lendo. Um livro desesperador para quem ama Elias, Laia e Helene e espera suas vitórias, ou a sua união. Preciso, mais do que tudo, do próximo livro, o último da série.

E espero que esse seja bonzinho com essa leitora que torce por um final feliz.


A seguir, alguns comentários COM spoilers:

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O QUE É ESSE LIVRO?????

Estou desesperada com esse final tão cruel, sem esperança...

(Não que todo o livro não tenha sido assim)

Sabaa Tahir devia estar com muita raiva de Elias, Laia e Helene ao escrever essa narrativa, ou com uma vontade enorme de fazer seus leitores sofrerem.

Helene não era minha personagem favorita no primeiro livro (torcer muito por Elias e Laia teve suas consequências), porém, quando ela também começou a narrar a história, quando vi sua força e objetivos, seu sofrimento, foi impossível que ela não entrasse em meu coração, mas ela precisava sofrer tanto assim?

Alguém tão importante para o Império, com a cabeça no lugar, que faz aquilo que ela acredita ser o certo, mas totalmente sobrepujada por alguém tão vil a cada momento. Aquele final, minha nossa, ela entregando sua máscara para o Portador da Noite, sozinha, com seu exército aniquilado, eu realmente achei que ela fosse morrer.

E, quando ela tem a chance de encontrar um pequeno bálsamo, um sopro de amor e felicidade, a Águia de Sangue se recusa a ter essa chance, colocando sempre seu dever em primeiro lugar.

Realmente, a única coisa boa e esperançosa desse livro é o filho do Imperador ter sobrevivido, o que eu realmente achei que não fosse acontecer. Talvez a autora tenha tido um momento de misericórdia ao escrever essa cena.

Faz muito tempo que eu não odiava tanto uma personagem quanto Keris Veturia. Realmente, eu poderia ter entrado no livro e torcido o seu pescoço (se isso fosse possível). É muito frustrante, triste, nos enche de raiva ver a vilã ganhando tantas vezes seguidas... Odiar é um sentimento muito ruim, mas não posso negar que senti isso nesse livro.

Agora, descobrir que a cozinheira é a mãe de Laia e Darin, descobrir que ela matou o pai e a irmã mais velha de ambos e, sem uma conversa realmente franca, sem ela reencontrar Darin, a Leoa ser morta, foi a facada final no meu coração.

Não a facada final mesmo, porque ainda temos Elias totalmente dominado pelo Mauth, com todas as suas ações sob o controle desse ser superior, e todas as suas emoções reprimidas, gritando dentro dele por liberdade, mas contidas de forma insuperável.

Agora, Laia não conseguiu deter o Portador da Noite, Elias não é mais ele mesmo, Helene é praticamente uma foragida, pois Keris assumiu como Imperatriz, e o Portador da Noite libertou os djinns... É desespero que chama?

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Holo, Meu Amor

| 29 março 2021 | Nenhum comentário:


Devido a uma doença que a impedia de reconhecer qualquer rosto, Han So-yeon era uma pessoa solitária, que evitava de se aproximar de quem quer que fosse para, assim, não ter que admitir a sua doença, até que óculos misteriosos aparecem em sua vida.

Uma avançada tecnologia com uma inteligência artificial holográfica, a qual ela podia ver e interagir cada vez que usava o equipamento. Holo se tornaria seu melhor amigo, seu confidente e até um grande amor. Porém, grandes e inescrupulosas empresas estavam atrás daquele avanço tecnológico, e o seu criador era alguém que Han So-yeon conhecia muito bem e já considerava a pessoa mais importante de sua vida.

Histórias com essas temáticas são incríveis, mas também assustadoras. Assim como o dorama "Love Alarm", que também conta sua história através de uma avançada tecnologia, e como ela pode influenciar a vida das pessoas, aqui também temos essa forma de escapismo.

Óculos com uma inteligência artificial, alguém que pode te ajudar a todo o momento, que sempre concorda com suas opiniões, e te adora como ninguém. Porém, assim como todas as tecnologias com as quais já convivemos diariamente, pode te afastar ainda mais das pessoas.

Han So-yeon era uma pessoa sozinha. Com Holo em sua vida, tudo havia mudado para melhor. Agora, com a ajuda da IA, ela conseguia reconhecer a todos ao seu redor, terminar o seu trabalho em tempo record, e até sair com seus colegas de trabalho, algo que jamais achou ser possível sem Holo ao seu lado.

A sua dependência era muito clara, porém, o personagem é muito mais que um computador. Ele foi criado com sentimentos, emoções, afeto. Impossível não se apaixonar por um ser que, mesmo não existindo no mundo real, age como uma criança feliz desbravando o mundo, querendo fazer a sua usuária feliz.

Porém, temos nessa narrativa Go Nan-do, criador da tecnologia, dono de uma grande empresa, mas, também, um fantasma.

O gênio havia simulado sua morte, há muitos anos, e agora, usava sua irmã como rosto da empresa e criadora dessa tão avançada tecnologia. Todos estavam ansiosos pelo lançamento, porém, vendo a relação de Holo e Han So-yeon, Go Nan-do tinha medo de lançar no mercado um produto que, ao invés de felicidade, causasse sofrimento ao usuário, devido a sua capacidade de amar, e de usar todos os meios possíveis para fazer, o que quer que fosse, para tornar o usuário feliz.

Apesar da sua resistência, Go Nan-do usa o fato dos óculos terem parado nas mãos de Han So-yeon como a oportunidade de fazer um teste beta com Holo, porém, isso também a colocava em perigo.

Ele seria obrigado a protegê-la muito de perto, o que também faria com que aquele homem insensível e frio, totalmente ao contrário da sua criação, conhecesse alguém que faria até uma inteligência artificial se apaixonar.

Esse é um dorama realmente lindo. A relação de Han So-yeon e Holo é algo complicado de se descrever e tentar chegar a uma conclusão em determinados episódios. Eles são perfeitos juntos, têm um carinho muito especial um pelo outro, porém, como uma mulher poderia ter uma relação com um holograma? Alguém que nunca poderia tocá-la, ou que ela poderia sentir?

Go Nan-do só tinha a mesma aparência de sua criação, porém, o princípio da criação de Holo era para que, a criança solitária e complicada que ele foi, finalmente tivesse um amigo. Por essa razão a IA era tão perfeita e companheira. Alguém que, bem no fundo, seu criador também gostaria de ser, para que assim as pessoas realmente se aproximassem, por mais que ele ainda não soubesse que era esse o seu maior desejo.

"Holo, Meu Amor" é fascinante! Os personagens nos deixam completamente divididos para quem devemos torcer, se suas atitudes são corretas, ou mesmo se seria bom para a humanidade uma tecnologia tão "humana". Se isso ajudaria as pessoas ou se as afastaria ainda mais umas das outras. O dorama tem um final triste, mas de uma maneira esperançosa. Assim como Han So-yeon, também estou completamente apaixonada!

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Ídolo Teen

| 22 março 2021 | Nenhum comentário:


Autora: Meg Cabot
Editora: Galera Record
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Jenny tinha uma vida escolar conturbada. Lidar com um coral do qual ela não gostava, ser responsável por consolar os amigos, manter a identidade secreta de aconselhadora da escola e ser aquela menina de quem todos gostavam, mas que não chamava a atenção. Porém, ser a queridinha de todos, inclusive dos professores, traria para a sua vida uma missão ainda mais desafiadora: esconder a verdadeira identidade do mundialmente conhecido jovem ator Luke Striker, que estaria em sua escola por algumas semanas, disfarçado, como um treinamento para o seu novo filme.

Às vezes, um leve romance adolescente é tudo o que precisamos na vida, e esse livro chegou por aqui no momento certo. Meg Cabot não só criou uma história divertida e engraçada, mas com valores reais que são necessários para o amadurecimento, com passagens importantes da vida de pessoas jovens para a fase adulta.

O livro todo é narrado do ponto de vista de Jenny, que é uma personagem incrível. Acho que essa foi uma das mais delicadas e bem escritas narrativas sobre a descoberta real de um sentimento com que já me deparei

A personagem deixa bem claro o que passa pelo seu coração, pela sua mente, desde as primeiras páginas da história, porém, nunca vi alguém negar os seus sentimentos de forma tão coerente, digamos assim.

Em geral, quando um personagem quer negar o seu amor por outro, nossa vontade é de entrar no livro e colocar juízo na cabeça da pessoa em questão, mas aqui a autora foi tão precisa em escrever essas cenas que, apesar de óbvio, foi bonito, romântico e verdadeiro ver Jenny aceitando os seus sentimentos e finalmente se abrindo para o que o seu coração desejou por muito tempo.

A chegada de Luke Striker na escola a abalou, apesar de ela não ser realmente fã do garoto, porém, que adolescente (ou não tão adolescente assim, não sei que reação eu teria no lugar dela rsrs) não se abalaria na presença de um astro, lindo de morrer, com um olhar penetrante e uma voz arrasadora que conquistou o mundo? Mas, mesmo toda a beleza e charme do mundo não poderiam competir com um amor verdadeiro.

Meg Cabot não só criou uma história linda, mas, com certeza, fugiu de um clichê clássico desse tipo de narrativas, conseguindo chegar ao fim da sua história nos fazendo torcer pelos personagens certos e nos juntarmos a eles em seu momento de felicidade e novas descobertas (descobertas que até mereciam um novo livro).

Antes de começar a ler, esperava uma história fofa, mas completamente diferente, portanto, foi uma surpresa incrível que a autora tenha sido tão corajosa e não seguido o que seria o esperado para uma história entre um astro do cinema e a protagonista.

"Ídolo Teen" é um livro de romance lindo, adolescente, mas que vai além de simplesmente ter um astro do cinema estudando em uma escola onde as garotas morrem por ele. É uma obra sobre autoconhecimento, onde a protagonista que descobre os seus sentimentos, mas, além disso, descobre sobre como ela pode fazer muito mais por todos aqueles que estão à sua volta, se ela tiver coragem e, quem sabe, um empurrãozinho de uma estrela do cinema.

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A Prisão do Rei

| 14 março 2021 | Nenhum comentário:


Autora: Victoria Aveyard
Editora: Seguinte
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Livros anteriores: A Rainha Vermelha | Espada de Vidro

Mare trocou a sua liberdade pela vida de seus companheiros. Agora, a mercê do Rei Maven, ela só podia focar seus pensamentos em como iria fugir daquele tormento. Acompanhada constantemente de pedras silenciosas e prateados que suprimiam o seu poder, cada dia era um martírio. Para piorar, Maven não havia se tornado uma pessoa melhor após se ver livre do domínio de sua mãe. A maldade estava entranhada naquele menino que um dia Mare amou, mas que aparentemente não mais existia.

Victoria Aveyard sabe realmente como criar clímax impactantes. Mal pude respirar durante todo o livro, em meio a agonia que Mare e todos aqueles que estavam longe dela viviam. Ter mais duas narradoras nessa narrativa, Cameron e Evangeline, foi algo que eu nunca imaginei. Duas perspectivas tão diferentes, tão opostas, mas, ao mesmo tempo, que nos trazem uma forma completamente diferente de analisar todos os acontecimentos, fora do olhar já conhecido da protagonista.

Quando temos a narrativa do ponto de vista de Mare, acompanhamos o seu sofrimento, a sua aflição em não ter acesso ao seu poder, em ter sua mente novamente torturada, estar cercada de inimigos, porém, sua principal dor é estar ao lado de Maven, ver os olhos mais gentis de sua existência tomados de horror, refletindo agora o monstro que ele havia se tornado.

Não é possível definir exatamente o que o novo Rei sente por Mare. Ele é um ser amargurado, angustiado, que não confia em ninguém, mas que nutre uma obsessão sem precedentes por aquela que um dia foi sua noiva. Maven era, aparentemente, transparente no primeiro livro, uma pessoa fácil de se ler, mas isso ficou para trás. Não é possível saber se resta amor no seu coração, se já existiu um dia, ou se a mãe destruiu completamente o ser humano que possa ter existido.

Foi ainda mais difícil ver Maven nesse livro. Não consigo esquecer o quanto ele foi especial em "A Rainha Vermelha". Ficamos a todo momento, assim como Mare, em busca daquele garoto tão jovem e tão gentil. Cada vislumbre, cada olhar, é uma esperança para nós, e para Mare, de que ele ainda exista. Porém, essa esperança não dura muito tempo.

A autora deixa a prisão de Mare para nos colocar no meio da Guerra e dos planos da Guarda Escarlate através da visão de Cameron. Uma sanguenova com poderes assustadores. Matar com apenas um olhar pode deixar qualquer um com medo, principalmente alguém que só deseja salvar o irmão.

Mas é incrível ver personagens importantes pelos seus olhos, principalmente o ex-herdeiro do trono de Norta. Sempre vimos Cal pelos olhos de Mare, agora, o vemos pelo ponto de vista de alguém que vê o príncipe apenas como um covarde, alguém que não consegue escolher um lado, que nunca viu os vermelhos como iguais. Vimos defeitos de Cal que antes nunca foram mostrados.

Ele nunca foi uma pessoa perfeita, muito pelo contrário, mas, nunca ficou tão claro suas deficiências, o quanto sua criação o deixou insensível diante de muitas coisas. Quando se trata de guerra, o personagem ainda deixa bem claro qual é a cor do seu sangue, e qual sangue derramado o machuca mais.

O que Cal sente por Mare é a única coisa cristalina. Seu desespero por ela estar nas mãos de seu irmão, o que ela deveria estar sofrendo, o matava a cada dia. Para alguém que seria Rei, seu único ideal de vida parecia ser salvar a sua amada, não importando as consequências.

Por mais que o ponto de vista de Cameron seja muito interessante, nada se compara aos capítulos narrados por Evangeline. Impossível não odiar alguém tão cruel e egoísta nos dois primeiros livros, assim como é impossível não se compadecer se suas dores quando acompanhamos a sua perspectiva. Alguém que nunca foi dona da própria vida, que nasceu para cumprir um desejo de seus pais, que nunca teve realmente voz para fazer o que quisesse.

No único momento em que ela tem um sopro de esperança, de que poderia se livrar de um destino terrível, tudo é tirado dela novamente. Não digo que Evangeline se tornou uma personagem maravilhosa, uma mocinha lutando pelo seu amor, mas, vendo o mundo através dos seus olhos, é impossível não entender suas atitudes e seu comportamento.

Quando um autor nos faz ver personagens já conhecidos com outros olhos, é sempre um golpe de mestre.

"A Prisão do Rei" é como uma prisão para os leitores. O livro te prende e te esmaga a cada página, e não sabemos se venceremos essa guerra, até a última página, quando a autora, mais uma vez, termina a narrativa com a intenção de nos enlouquecer.

 

A seguir, alguns comentários COM spoilers:

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Posso gritar? É o que eu mais quero fazer ao terminar esse livro. Estou tão desapontada com tantos personagens. São tantas manipulações, tanta política... É angustiante de ler, mas não deixa de ser uma angústia incrível.

Será que a mente de Maven pode ser salva?

Será que existe alguma chance daquele menino gentil ainda existir dentro dele, ou a mãe destruiu qualquer traço de bondade de sua mente?

Cal está realmente disposto a deixar Mare e se casar com Evangeline para se tornar Rei?

Ele realmente será um Rei melhor, mesmo que tenha que magoar tantas pessoas para isso?

Tem alguém realmente com boas intenções nesse livro, alguém que possa ser um bom governante, alguém sem objetivos egoístas?

Sempre disse e repito, bons livros são aqueles que nos causam grandes emoções, por mais que elas nem sempre sejam boas...

Porém, antes desse final desesperador, amei cada cena entre Cal e Mare, pena que, mais uma vez, vou ter que esperar mais um livro para saber o que finalmente irá acontecer entre eles...

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Uma tocha na escuridão

| 09 março 2021 | Nenhum comentário:


Autora: Sabaa Tahir
Editora: Verus
Adquira o seu exemplar: Amazon, Americanas, Submarino
Livro anterior: Uma chama entre as cinzas

A quarta eliminatória finalmente chegou ao fim. O instável e cruel Marcus é o novo Imperador, enquanto Helene é sua Águia de Sangue. Elias e Laia lutam pela sua sobrevivência enquanto são caçados pelo Império. Laia quer desesperadamente salvar o irmão da pior prisão do Império, e Elias aceita ajudá-la em sua missão, e continuaria a ajudando até o seu último suspiro.

Eu, sinceramente, pensei que terminar "Uma chama entre as cinzas" tinha sido algo intenso e desesperador, mas não podia chegar nem perto de imaginar o que a autora, Sabaa Tahir, planejava para essa continuação.

Agora, além dos pontos de vista de Elias e Laia, também podemos acompanhar o sofrimento de Helene em primeira mão. Apesar de ser, em teoria, a segunda pessoa mais importante do Império, Marcus não quer ouvir seus conselhos e opiniões, tudo o que importa ao novo Imperador é o sofrimento de sua Águia de Sangue. Então, que melhor missão ele poderia lhe impor do que caçar e matar aquele que foi seu melhor amigo e grande amor?

Não é fácil acompanhar a angústia e todas as atribulações de Helene nesse livro, alguém que cresceu em uma família em que ser fiel ao Império sempre viria em primeiro lugar. Alguém que sempre colocou a sua fidelidade acima de qualquer coisa e agora precisava aguentar as acusações, punições e decisões mesquinhas de um Imperador sem coração, mas que o seu dever a obrigava a obedecer.

Por torcer muito por Elias e Laia como casal, no primeiro livro, nunca me apaixonei por Helene como personagem, mas seria impossível que isso não acontecesse nessa sequência após ver o mundo através de seus olhos, sofrer e sentir suas dores, desejar que ela se libertasse de suas crenças de que servir ao Império sempre deveria vir em primeiro lugar, apesar de compreender suas razões.

Passar pelo o que a personagem passou nesse livro, ser totalmente quebrada, da pior maneira possível, só me faz querer muito ver a sua evolução na continuação e finalmente descobrir se a autora fará com que ela solte os seus grilhões ou se torne a mão que um Imperador tão cruel precisa para manter o seu domínio.

Protagonizando a outra linha dessa narrativa, temos Elias e Laia, personagens que eu amei intensamente no primeiro livro, mas me fizeram sofrer como nunca em sua jornada para libertar o irmão de Laia da prisão.

Libertar Darin não era uma missão apenas para resgatar o último membro vivo da família da protagonista. Ele possuía um conhecimento que poderia ajudar os eruditos e mudar completamente o rumo dessa guerra contra os marciais.

Em um momento em que a comandante parecia querer exterminar todos os eruditos da face da Terra, a esperança que o irmão de Laia poderia trazer era sem precedentes. Aliás, temos aqui uma personagem que consegue nos fazer chegar em todos os níveis possíveis de ódio. Esse é um livro com vários vilões, ouso dizer com mais vilões do que heróis, porém, não é possível odiar alguém mais do que a comandante, por mais que outro personagem (ainda com muito para compreendermos dele) chegue bem perto.

No primeiro livro temos uma primeira visão do mundo sobrenatural criado pela autora, algo que inunda as páginas dessa sequência de modo mágico, profundo e assustador. Poderes desconhecidos começam a surgir, personagens misteriosos têm alguns de seus segredos revelados e alguém muito importante na história renasce como algo que espero que possamos compreender melhor nos próximos livros da série.

"Uma tocha na escuridão" não é só mais um livro de fantasia, é uma narrativa épica. Temos elementos fantásticos, mas temos muito da natureza humana, seja saudade, coragem, vingança, remorso, ganância, traição, tristeza e, é claro, amor. Com um final, se não tão tenso quanto o do livro anterior, tão grandioso quanto, para nos fazer desejar, como Laia desejou encontrar o seu irmão, saber o que vai acontecer com personagens tão incríveis.

Acredito que nem os adivinhos saibam a resposta para isso.

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Para Sir Phillip, com amor

| 24 fevereiro 2021 | Nenhum comentário:


Autora: Julia Quinn
Editora: Arqueiro
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Livros anteriores: O Duque e Eu | O Visconde que me Amava | Um Perfeito Cavalheiro | Os Segredos de Colin Bridgerton

Eloise, após recusar seis pedidos de casamento, estava satisfeita em saber que seria uma solteirona ao lado de sua melhor amiga, Penélope Featherington. O que ela jamais imaginaria era que alguém que nunca foi cortejada, como Penélope, se casaria, muito menos com um dos seus irmãos menos propenso ao casamento.

Agora, a quinta filha da família Bridgerton estava repensando se fizera as escolhas corretas. Ela não era contra a ideia do casamento, mas queria o mesmo amor, cumplicidade e carinho que os irmãos haviam encontrado. Mas logo Eloise descobriria que os grandes bailes de Londres não lhe trariam aquele que ela buscava.

Após escrever uma carta de condolências para o viúvo Sir Phillip, marido de uma prima distante, uma resposta levaria a outra carta, e mais outra, até que o mesmo lhe fizesse uma proposta inusitada: que Eloise viesse visitá-lo para que pudessem se conhecer e, se gostassem da companhia um do outro, pudessem pensar em casamento.

Eloise, desesperada com o rumo que a sua vida estava tomando, foge de casa para encontrar o homem que a encantava por cartas. Sir Phillip queria uma mulher que fosse feliz e fosse uma mãe ideal para os seus filhos. Mal eles sabiam que o gênio forte de Eloise e o jeito quieto e distante de Phillip os fariam duas pessoas tão diferentes. Mas, como dizem, os opostos se atraem...

Achei o quinto livro da série "Os Bridgertons" o mais diferente até agora. Eloise está sem rumo, desgostosa com a própria vida, e aproveita uma oportunidade para dar uma guinada, seja para que lado fosse. Por outro lado, Phillip só queria uma mulher que cuidasse de seus filhos. Por mais que ele os amasse incondicionalmente, ele não conseguia ser um pai, seja no sentido de dar carinho ou educar. E para isso ele precisava de alguém, e uma esposa poderia preencher esse requisito.

Nenhum dos dois, a princípio, tinha a ideia do casamento como ponto chave para aquele encontro. Eloise estava fugindo de uma vida em que ela não sabia mais o que queria. Phillip só queria uma mulher que suprisse o lugar que a sua viúva havia deixado, apesar dela nunca ter ocupado o lugar de fato.

Quando eles encontram ao seu lado alguém tão diferente, tão distante do que eles imaginavam, conflitos surgiriam naquela relação que teve seu início de forma tão errada.

Claro que os irmãos da família Bridgerton não permitiriam que a irmã, após passar dias sem uma acompanhante, na casa de um homem, tivesse sua reputação manchada. Para Phillip, se casar com Eloise não seria apenas uma obrigação como cavalheiro, mas finalmente conseguir o que ele queria, e precisava, para os filhos.

Para Eloise era estranho ter alguém mandando em sua vida, principalmente se tratando de um ponto tão importante. Se ela não aprendesse a gostar de Phillip, a amar o seu marido, poderia ser infeliz para o resto da vida, e tudo o que Phillip não queria era outra mulher infeliz em sua vida.

Os filhos de Sir Phillip são um deleite. Duas crianças espertas, atrevidas, mas muito, muito arteiras. Com uma mãe que nunca realmente lhes deu amor e um pai ausente, eles usavam toda a rebeldia que podiam, todas as brigas, pirraças e tramoias para chamar a atenção, para tentar conquistar um pouco de amor.

Eloise tem que enfrentar poucas e boas para conquistar as crianças, mas, nada como uma filha da família Bridgerton para saber exatamente como lidar com crianças arteiras. Ela tem muitos irmãos e sobrinhos para ter experiência o suficiente no assunto.

É lindo como o amor acontece nesse livro. Duas pessoas com personalidades tão diferentes, com perspectivas de vida distintas, mas que aprenderiam com outra pessoa que a vida pode ser muito diferente do que eles imaginavam ou almejavam, que pode ser diferente, mas muito melhor, só é necessário abrir o coração e alcançar a felicidade.

"Para Sir Phillip, com amor" é engraçado e encantador. Impossível não rir com crianças tão espertas, com irmãos superprotetores e não se emocionar com essa nova família entendendo o que é o amor e como a felicidade pode ser encontrada, mesmo após um período de tanta escuridão.

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Valiant

| 03 fevereiro 2021 | Nenhum comentário:


Autora: Laurann Dohner
Editora: Universo dos Livros
Adquira o seu exemplar: Americanas, Submarino, Amazon
Livros anteriores: Fury | Slade

Talvez Valiant não seja o Nova Espécie tão feroz e animal que parecia ser no livro anterior. Talvez, sua aversão aos humanos pudesse ser superada, assim que uma pequena humana cruzasse o seu caminho e tomasse para si o seu coração.

No segundo livro da série "Novas Espécies", temos uma primeira visão, talvez um pouco assustadora, do protagonista desse livro. Valiant não é amistoso com humanos, ou mesmo com aqueles de sua própria espécie, a quem ele também assusta devido a sua força quase incomparável. Quando Tammy invade, sem querer, o seu território, e ele sente o cheiro daquela que seria a sua parceira, nada, nem ninguém, a tiraria de seus braços.

Apenas a própria Tammy poderia começar a ensinar a Valiant sentimentos importantes como amor, respeito e que nem todos os humanos precisavam ser temidos e que também deveriam ser ajudados.

A autora, Laurann Dohner, é fantástica ao criar protagonistas tão poderosos de se ler. Cada um dos Novas Espécies têm os seus traumas da época em que viviam trancafiados, sem nenhuma liberdade, sofrendo torturas sem precedentes. Dessa forma, cada um deles estava disposto a passar por cima, de quem quer que fosse, para encontrar a sua felicidade.

Nesse caso, só uma mulher que realmente lhes desse amor, lhes ensinasse como conviver nesse mundo, ainda tão hostil para eles, conseguiria refrear tamanho desejo de dominação da própria vida, incluindo todos aqueles ao seu redor.

Valiant, por ser o Nova Espécie com características mais animais apresentado até agora, foi o que menos demorou para ceder aos seus instintos. Os protagonistas dos dois primeiros livros conseguiram resistir por algum tempo, sabendo o quanto qualquer tipo de relação com uma humana seria errada, ou perigosa, porém, para alguém como Valiant, que não conhece a palavra cautela, ele simplesmente encontrou a sua parceira e resolveu tomá-la para si.

Essa é uma parte intensa e polêmica da história. O começo do relacionamento deles é algo realmente forçado da parte de Valiant. Por mais que Tammy também tenha se apaixonado, seus sentimentos levaram muito mais tempo do que os do protagonista masculino para aparecerem.

Sua interação inicial não foi romântica de ser ler, muito pelo contrário. Por mais que tenha tinha seduzida pelo seu algoz, não podemos deixar de perceber o quanto o começo do seu relacionamento foi baseado puramente na submissão que ele exercia devido ao seu tamanho e força física.

Porém, quando o coração de Tammy é tocado por aquele homem que faria de tudo para protegê-la, quando ele começa a deixar de lado suas necessidades, suas escolhas e vontades para finalmente fazer feliz quem estava ao seu lado, começamos a entrar na história de amor, mesmo que quente e arrebatadora, que tanto esperávamos.

"Valiant" é um livro em que, mais do que nunca, os grupos de ódio contra as Novas Espécies mostram suas garras e finalmente um facho de esperança surge para aqueles que já sofreram tanto em suas vidas. Eles são intensos, e poderosos, mas também podem amar e proteger o ser amado como nenhum outro humano conseguiria.

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