Autora: K. A. Robinson
Editora: Fábrica 231
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Um triângulo amoroso repleto de marcas no passado. Chloe tem
em seu histórico uma mãe abusiva, drogada, que nunca realmente ligou para a
filha, além de para seu sofrimento. Ter Logan e Amber ao seu lado, dois amigos
queridos, era o único alicerce que tinha em sua vida, até Drake aparecer. Um
típico bad boy, com piercings, tatuagens e vocalista de uma banda, que também
tinha sombras em seu passado que ainda o afetavam diariamente. O que não impede
que Chloe se sinta atraída por ele.
Quando ela descobre que seu grande amigo de infância sente
por ela um amor nada fraterno, e que o bad boy também parece querer muito algo
com ela – se apenas levá-la para cama ou algo mais duradouro, a protagonista
não tem certeza -, é o momento em que Chloe fica dividida em uma grande amizade
que ela jamais iria querer perder e uma paixão que pode abalar todas as suas
estruturas.
Esse livro constrói o triângulo amoroso muito mais por medo
da protagonista do que pela sua paixão em si pelo amigo de infância. Sua atração
obviamente é por Drake, porém, nada que a impeça de protagonizar cenas picantes
também com seu grande amigo. Ela estava muito acostumada a ter Logan sempre ao
seu lado, o que causou um turbilhão em sua mente quando descobriu que ele
gostaria de aprofundar aquela relação, que a amava desesperadamente, com paixão
e desejo.
Logan é o típico personagem certinho e amoroso, aquele que
seria a escolha mais óbvia para a felicidade de uma mulher. O agravante aqui é
toda a intimidade e compreensão que ambos desenvolveram durante anos de
convivência, algo que Chloe temia perder mais do que tudo, pois seu histórico
em ser amada em sua vida não era promissor.
Porém, esse medo foi o real propulsor de todas as brigas e
conflitos que surgem na narrativa. A protagonista não consegue separar o amor
de um homem e uma mulher de um amor fraterno, achando que isso pode afastá-la
de seu grande amigo. De pano de fundo, temos a presença de uma mãe que deseja
encontrar a todo o custo a filha, apesar de em nenhum momento sabemos o real
motivo.
Drake é um bad boy muito mais na aparência do que em suas
ações. Desde o princípio ele é encantador, ajudando Chloe, mesmo em uma
situação deveras constrangedora. Acredito que os dois tenham marcas em seus
passados, mas Drake consegue disfarçar de forma bem mais eficiente, quase não
se notando o quanto ele sofreu quando criança e na adolescência.
“Cicatrizes” é um livro um pouco mais leve do que o título
nos leva a acreditar. Focando mais no triangulo amoroso em si do que nos
traumas dos protagonistas, a grande cicatriz apresentada é o medo de Chloe de
tentar, de se jogar em um relacionamento que pode tanto ser desastroso quanto
maravilhoso. O livro termina com um gancho gigantesco para o próximo, que pode
se aprofundar imensamente no trauma e nos render cenas ainda mais profundas se
tratando do psicológico dos personagens.



