Alvo Severo Potter carrega o nome de dois grandes bruxos e o
sobrenome do homem mais famoso da história. Aquele que venceu o Lorde das
Trevas e trouxe a paz para o mundo bruxo. Porém, ser filho de Harry Potter
fazia com que as pessoas tivessem expectativas que talvez Alvo não pudesse, ou não
quisesse, alcançar.
Harry Potter agora é um homem adulto, pai de três filhos e
com um grande cargo no Ministério da Magia. Seria de se imaginar que sua vida
fosse completamente perfeita, mas estamos muito longe disso. O fardo que ele carregou
é muito grande para que qualquer pessoa possa realmente superar. Sua família é seu maior tesouro, mas nunca
ninguém lhe ensinou como um pai deveria ser e, um filho como Alvo, pode ser
mais desafiador do que enfrentar um bruxo das trevas. Pelo menos com um
Comensal, Harry sabia exatamente o que tinha que ser feito.
Quanto tempo nós esperamos por esse momento? Quantos de nós
não ficamos em polvorosa ao descobrir que a aguardada oitava história de “Harry
Potter” finalmente viria ao mundo? E, tendo que nos conformar que não seria
exatamente como estávamos esperando, mas uma peça de teatro? Claro que nossa
querida J.K. Rowling não deixaria o resto do mundo no escuro, e publicou o
roteiro da peça em formato de livro.
Quando comecei a ler, mantive em mente que era o roteiro de
uma peça, e não um livro. Assim como um filme, o roteiro não terá todos os
detalhes com os quais estamos acostumados. O leitor terá em mãos um texto
centrado em falas, descrições de cenários e como os atores se movimentam por
ele e, em alguns momentos de sorte, alguns de seus sentimentos, que devem ser
interpretados nos momentos certos.
Apesar disso, estamos falando da gênia, mágica, bruxa J.K.
Rowling. Eu imagino que até a sua lista de compras seria fabulosa, então, o
roteiro de uma peça não seria diferente. Amei, de todo o meu coração, conhecer
Alvo Severo Potter e Escórpio Malfoy, os dois grandes protagonistas dessa
história.
Alvo é um menino que carrega um fardo gigantesco. Seu nome e
sua família fazem com que as pessoas esperem muito dele, o que, ao contrário do
pai, não o desabrochou, mas fez com que ele se retraisse para o mundo,
inclusive para sua família. Ele mal falava com as pessoas, não se dava bem nas
aulas e acreditava que tudo seria mais fácil se ele não pertencesse àquela
família.
Escórpio, o único amigo de Alvo, foi um deleite de se
conhecer. Com uma personalidade que lembra muito Fred e Jorge Weasley, em
muitos aspectos ele também lembra Harry. Um menino que não teve uma infância
feliz, com uma mãe muito doente e com pessoas a sua volta que se afastavam dele
por um determinado motivo, ele tentava, e conseguia, manter o sorriso no rosto
e a felicidade a sua volta, mesmo que também só tivesse Alvo em sua vida.
A amizade deles é algo que só realmente J.K. Rowling
consegue construir, algo para nos comover e inspirar a cada momento. Quando
Alvo decide tentar corrigir um dos erros de seu pai, por mais que seja algo
totalmente proibido, perigoso e provavelmente fadado ao fracasso, eles seguem
em direção a sua própria aventura, nos levando por uma viagem emocionante em um
mundo que já conhecemos e aprendemos a admirar.
Emoção é a palavra-chave desse livro. Como sempre, o foco da
autora é amizade, família e morte. Como seriam esses três temas, atrelados a
fatos que já nos fizeram derramar muitas lágrimas, algo senão repleto de
emoção?
“Harry Potter e a Criança Amaldiçoada” trouxe para o meu
coração sentimentos que eu não sentia há muito tempo, e foi absolutamente formidável
lembrar de cada um deles e saber que Harry ainda tem o poder de me tocar como
nenhum outro personagem. Isso tudo apenas lendo o roteiro, eu imagino a emoção
de quem viu realmente a peça, da forma como essa história foi concebida para
ser vista. É muito talento de uma autora que nós traduzimos com muito amor,
mesmo depois de todo esse tempo... sempre.